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Opinião08/06/2018 | 15h30Atualizada em 08/06/2018 | 15h52

Nivaldo Pereira: Corações e confusões

O amor pode resultar criativo e ousado. Mas, há a norma coletiva de como amar

Nivaldo Pereira: Corações e confusões Fredy Varela/Reprodução
Foto: Fredy Varela / Reprodução
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Dia dos Namorados chegando, cupidos e corações flechados já enfeitam as vitrines. Apesar do uso comercial, amor é arquétipo. Ou seja, é princípio elementar do existir, razão pela qual sempre foi visto como magia divina, coisa de Eros, Afrodite, Vênus ou Oxum. No entanto, a manifestação pura do amor esbarra em padrões culturais, como o do popular amor romântico. Ué, então esse modelo não é o natural, o “certo”? Vejamos.

No céu, a dinâmica amorosa pessoal é esboçada a partir do posicionamento de astros como Sol, Lua, Vênus e Marte e de suas interações. O resultado desse particular perfil amoroso quase sempre carrega complexidades e subversões. Encontrar a adequada expressão de um amor com muitas nuances exige um contínuo trabalho de autoconhecimento. O amor pode resultar criativo e ousado. Mas, há a norma coletiva de como amar!

Essa norma é uma construção psicológica e social que tem suas origens na Idade Média, com o chamado amor cortês. Paixão, exclusividade e devoção foram os alicerces de um amor em que duas almas buscam se completar uma na outra. A cultura de massa de nossos tempos vitaminou esse formato no imaginário romântico de livros, canções, filmes, propagandas e novelas. O final feliz virou destino de todo amor “verdadeiro”. Já crescemos sabendo que o sentido do viver é amar e que não há felicidade sem a cara-metade. Anjinhos e corações unidos nas vitrines sempre vão nos lembrar disso.

Porém – ai, porém! – a paz do amante romântico vai depender de o ser amado cumprir a projeção recebida, num pacto inconsciente. “Sem você, eu morro”; “se você não for o que eu espero, é traição”: quantos abusos esse modelo oculta!

Hoje, ainda bem, virou besteira alguém precisar de outro para se tornar inteiro. Com o autoconhecimento e as conquistas individuais, já não é tão necessário terceirizar ao outro o que nos cabe viver. E as relações se tornam mais livres e autênticas. São duas almas que caminham juntas e não metades escoradas na dependência. Só assim o amor pode voar, como o anjo alado que de fato é.

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