Ciro Fabres: amigos da boca para fora - Cultura e Tendência - Pioneiro

Versão mobile

 

Opinião27/06/2018 | 11h15

Ciro Fabres: amigos da boca para fora

Nem políticos, nem os que criticam políticos postaram-se ao lado do Cristóvão

A associação de moradores do Colina Sorriso está colocando bancos em abrigos para os passageiros esperarem com o mínimo de conforto e respeito nas paradas de ônibus. A entidade é amiga dos passageiros, das pessoas. Tornou-se cuidadora das paradas no Colina e nos bairros próximos. Golaço.

Leia mais
Ciro Fabre: o cabelo de Neymar
Ciro Fabres: Dr. Milton, pediatra

Agora, na recente greve dos caminhoneiros, grande parte da população tornou-se amiga deles. Estava ao lado da categoria explicitamente, deixando clara a adesão, por formas visíveis de apoio e solidariedade. Importante a manifestação pública, a tomada de posição. São exemplos de bons amigos.

Pois bem, apesar de todos os discursos, dos políticos em época de campanha e do senso comum da população, quem pode se dizer amigo ou amiga da educação, das escolas? Muito pouca gente. A prática mostra isso. Sobra só o discurso.

O Cristóvão, o histórico Instituto Estadual de Educação Cristóvão de Mendoza, principal escola pública da cidade, está caindo aos pedaços. Sua estrutura física está completamente deteriorada, as marcas de abandono são visíveis, escancaradas, para quem quiser ver. E quem é amigo do Cristóvão? Quem se enfileirou pelo Cristóvão esse tempo todo? Há 10 dias, este jornal mostrou as cicatrizes da escola, patrimônio vivo da cidade, a escola do magistério, que ainda pulsa. Pois não surgiram amigos do Cristóvão. Fez-se o mais reluzente silêncio, até agora o silêncio ecoa, ensurdecedor.

Ninguém assumiu publicamente as dores do Cristóvão, como se fez há pouco, pessoas comuns ao lado dos caminhoneiros. Ao lado do Cristóvão, praticamente ninguém, a não ser abnegados que lutam cotidianamente na escola, a cobrar do governo o compromisso que assumira há exatos dois anos, de recuperar o colégio. Mas se tropeça na burocracia, é o argumento oficial. Nem políticos, nem os que criticam políticos postaram-se ao lado do Cristóvão.

Aliás, o que se conseguiu até agora, um compromisso do governo que por enquanto é só fumaça, foi obra dos alunos que ocuparam o Cristóvão há dois anos. Muito pai, daquela vez, indignou-se com os alunos, porque ia atrasar as férias de verão. Faltam amigos do Cristóvão. Faltam amigos da educação. No discurso, é muito bonito. Na prática, quase ninguém pega junto. Por que ninguém pega é um mistério insondável, já que todo mundo jura que defende educação de qualidade. 

Aliás, a jovem Milena é uma rara amiga da educação. Que gesto, Milena! Doou seu primeiro salário, 640 reais, 100% de sua acalentada primeira renda mensal, para a escola onde estudou, a Dezenove de Abril. Você é uma das raras amigas da educação, dos professores, de sua escola.

Quem mais vai se juntar a Milena? Quem vai ser amigo do Cristóvao? A educação tem muitos amigos, mas da boca para fora.

Leia também
Educação foi a área que recebeu mais investimentos em Caxias do Sul
Finalmente, "Os Incríveis" 2 na telona
Sociedade por João Pulita
Frei Jaime: incontáveis pensamentos
Antonio Giacomin inaugura novo espaço onde pretende aproximar o público de sua produção 

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros