Nivaldo Pereira: Signos e clichês - Cultura e Tendência - Pioneiro

Versão mobile

 

Opinião04/05/2018 | 16h53Atualizada em 04/05/2018 | 17h11

Nivaldo Pereira: Signos e clichês

É difícil achar alguém que não conheça seu signo, numa cultura em que as colunas de horóscopos são das mais consumidas

Nivaldo Pereira: Signos e clichês Charles Segat/Charles Segat
Foto: Charles Segat / Charles Segat
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Em relação a outras antigas linguagens simbólicas de entendimento da vida e seus ciclos, a astrologia talvez seja a mais conhecida e aceita. Contribuem para isso sua base de estudos – o céu, como referencial de uma ordem cósmica – e sua enorme popularidade, alimentada pelos meios de comunicação de massa. É difícil achar alguém que não conheça seu signo, numa cultura em que as colunas de horóscopos são das mais consumidas. Até aí, tudo bem. O problema – muito sério – é a superficialidade do que é divulgado como sendo “a” astrologia.

Em animadas rodas de botequins ou nos criativos memes das redes sociais, o complexo saber astrológico é reduzido a alguns clichês sobre os doze signos. Por conta disso, esse estudo de milhares de anos, que já teve entre seus defensores gênios da ciência como Newton, Kepler e Jung, vira um mero jogo ou crença infundada de gente esotérica e supersticiosa. Sim, o tema é muito profundo, mas quem quer aprofundar alguma coisa nesses tempos em que se pede desculpas pelo “textão” com mais de um parágrafo? Então, dá-lhe reduções, clichês e preconceitos!

Nessa linha rasa, taurinos vivem comendo, geminianos têm duas caras e virginianos adoram faxinas. Que lástima! Todo um arquétipo da natureza, rico em possibilidades, se reduz a manifestações que estão longe de serem padrões. Muita gente também transforma experiências pessoais com algum signo em generalizações e estigmas. Se um descolado ariano foi restringido em sua ação por algum capricorniano, então Capricórnio vira o signo dos controladores antipáticos, uma raça a ser evitada.

Esses “astrólogos” por experiência própria deveriam saber que temos todos os doze signos no mapa natal, cada um correspondendo a uma área de nossa vida. Assim, o que vemos de ruim no signo alheio geralmente reflete facetas nossas que não queremos aceitar. A astrologia profunda nos desmascara! Estudá-la pode ser perigoso para quem tem medo de se conhecer. E o que somos sem autoconhecimento? No mínimo, repetidores de frases feitas e clichês 

 Leia também:
Confira o que vai ser tendência neste inverno
Espetáculo sobre a vida de Gandhi será encenado neste sábado, no Teatro Murialdo Entrevista: o Xodó da novela "O Outro Lado do Paraíso" fala sobre vida e carreira
Tríssia Ordovás Sartori: Microcosmo sociedade 
Confira a programação cultural deste final de semana na serra 

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros