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Opinião30/05/2018 | 10h45Atualizada em 30/05/2018 | 10h45

Natalia Borges Polesso: escolhas

Sábado eu vi e li duas coisas que me deixaram tristes, mas não espantada

Natalia Borges Polesso

nbpoless@gmail.com

Foi difícil escolher sobre o que escrever nesta coluna hoje. A curiosidade é que escrevo a coluna geralmente no domingo, envio na segunda de manhã e ela é impressa no jornal de terça. Então, às vezes, como já mencionei aqui, me sinto atrasada. Porém, também me sinto meio vidente, quando penso que já escrevi tantas e tantas vezes sobre o que escolhi escrever hoje.

Como chegamos aqui?

Ontem, sábado, no caso, eu vi e li duas coisas que me deixaram tristes, mas não espantada. Triste, porque ao tentar responder a pergunta: como chegamos aqui?, penso que os grandes propulsores foram a imensa ignorância política e a extrema falta de empatia.

Bem, primeiro falarei do que li - afora muita teoria produzida por mulheres e literatura, mas disso eu falo outro dia - eu li um comentário, em um portal de notícias, em que uma pessoa se dizia extremamente preocupada porque o Temer havia mandando as forças armadas acabar com a greve dos caminhoneiros, ao que sua resposta lógica ao perigo foi pedir uma “intervenção militar já”. Eu não sei nem como comentar tal absurdo. E fico honestamente pensando que o que passa na cabeça de um grevista-intervencionista militar. A resposta está envolta em um papel brilhante de ignorância, no que diz respeito à história e à política. Coisa que não será sanada sem uma ampla e demorada reflexão. Mas para isso é preciso disponibilidade.

O que nos leva ao que vi. Ontem, sábado, durante uma caminhada, vi uma junção de pessoas, cidadãos-de-bem, vestidos de verde-amarelo ali na famosa esquina que já foi palco de uma das faixas mais torpes da história da cidade (as palavras exatas eram: "verás que um filho teu não foje á luta"). Essas pessoas também pediam intervenção militar. Quem pede intervenção militar? Sério? Historicamente, quem pede isso? Quem é que conscientemente pede para que o Estado Democrático de Direito lhe seja usurpado? E suponhamos que isso aconteça (batam na madeira, por favor). 

Depois, quando tudo piorar – porque é evidente que os militares não vão saber governar este país – e essa galera se der conta, o que vão fazer? Pedir intervenção da igreja? Intervenção divina? Arrebatamento? Intervenção psiquiátrica? Sério? O que vão pedir? E quando tudo piorar – sejam criativos e me acompanhem neste delírio do real – quando estivermos bem ambientados numa réplica social de O conto da Aia (já escrevi sobre isso há algum tempo), quando racionar mantimentos for algo normal e não recomendação, quando não houver combustível, aliás quando nem houver mais para onde ir, quando não pudermos mais pedir nada, nem as intervenções, qual será a saída? Teremos ainda alguma escolha?

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