Exposição na Aliança Francesa, em Caxias, revisita protestos de maio de 1968 - Cultura e Tendência - Pioneiro

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História28/05/2018 | 10h28Atualizada em 28/05/2018 | 11h06

Exposição na Aliança Francesa, em Caxias, revisita protestos de maio de 1968

Mostra traz fotografias de Philippe Gras sobre mobilização ocorrida em Paris

Exposição na Aliança Francesa, em Caxias, revisita protestos de maio de 1968 Philippe Gras/Aliança Francesa,Divulgação
Há meio século, estudantes foram às ruas na capital francesa pedindo reformas, e acabaram por marcar a história Foto: Philippe Gras / Aliança Francesa,Divulgação
Maristela Scheuer Deves
Maristela Scheuer Deves

maristela.deves@pioneiro.com

É maio. Manifestantes tomam as ruas, pedindo mudanças. Não se trata, porém, da greve dos caminhoneiros que parou o Brasil desde a última segunda-feira, mas dos estudantes que tomaram as ruas Paris em maio de 1968, pedindo reformas no setor educacional. O fato, que teve repercussões no mundo todo e que está completando meio século, será relembrado com a exposição fotográfica Au Coeur de Mai 68, que abre nesta segunda-feira na Aliança Francesa de Caxias do Sul.

—  Protestos são parte da existência humana, eles ocorrem em todos os momentos da história, e isso vale para os (protestos dos) caminhoneiros, que estão acontecendo agora, vale para 2013 e vale para maio de 1968, para as lutas de Esparta na Roma antiga e para os demiurgos na Grécia — contextualiza o doutor em História Marcelo Caon, que ministrará a palestra Os Ecos de Maio de 68, durante a abertura da mostra.

A exposição é composta por 43 fotografias do francês Philippe Gras, que retratam o desenrolar dos protestos estudantis de 50 anos atrás. As imagens foram descobertas apenas em 2007, após a morte do fotógrafo. Além da qualidade artística das fotos, elas são um registro dos acontecimentos que, segundo Caon, marcaram o fim da modernidade e o momento da descentração do sujeito.

— Foi o momento de colocar um ponto de interrogação nas grandes metanarrativas que explicavam, ou tentavam explicar, o funcionamento da sociedade humana desde o iluminismo — diz. — Não são apenas estudantes que estão nas ruas jogando pedras na polícia ou fazendo barricadas, são intelectuais que estão pensando e questionando fortemente, nas academias e fora dela, o establishment.

Ele acrescenta que as manifestações de maio de 1968 não se restringiram à França, e tiveram características próprias em cada país. Nos Estados Unidos, por exemplo, se manifesta no surgimento de movimentos como o Panteras Negras e a contestação à Guerra do Vietnã, além da questão da contracultura. No Brasil, que vivia sob uma ditadura militar e forte censura, a busca era por uma sociedade mais igualitária.

E se os fatos ocorridos há 50 anos marcaram a história, o que dizer do momento atual no Brasil? Para o historiador, os protestos são legítimos porque trazem um movimento que está buscando algo, porém seria ingenuidade esperar que o simples fato de os caminhoneiros irem às ruas leve a uma mudança social profunda.

— Eu não consigo ver nenhuma mudança profunda na história sem uma grande parcela da sociedade junta.

fotos de Philippe Gras, maio de 68, França
"Protestos acontecem em todos os momentos da história", diz Marcelo Caon, doutor em HistóriaFoto: Philippe Gras / Aliança Francesa,Divulgação

Agende-se

:: O quê: abertura da exposição fotográfica Au Coeur de Mai 68 e palestra Os Ecos de Maio de 68.

:: Quando: nesta segunda-feira, às 18h30min. Visitação até 28 de junho, de segunda a quinta, das 9h30min às 11h30min e das 13h30min às 18h30min.

:: Onde: no auditório da Aliança Francesa (Rua Coronel Flores, 749, sala 202), em Caxias.

:: Quanto: na palestra de abertura, doação de 1kg de alimento não perecível (vagas limitadas, confirmar presença pelo telefone 3221-5212). Nos outros dias, entrada franca.

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