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Opinião16/05/2018 | 07h39Atualizada em 16/05/2018 | 07h39

Ciro Fabres: a frase do milênio

Francisco recuperou aquela que é uma das centralidades da mensagem de Cristo, a humildade

João Paulo II e Bento XVI tinham outra postura e um visível comprometimento em manter o peso da estrutura da Igreja Católica. Uma estrutura engessada. Papa Francisco inaugurou um outro tempo, de humildade e serviço, a começar pelo próprio nome que escolheu, Francisco. É inacreditável, mas explicativo, que, ao longo da história, nenhum outro papa tenha se chamado Francisco. Desde João XXIII, nenhum pontífice lançou pontes tão sólidas e evidentes para comunidades marginalizadas e discriminadas, dando consequência aos ensinamentos de Cristo, aliás.

É do papa Francisco a frase do milênio, que ele proferiu no voo de volta ao Vaticano após visitar o Brasil em 2013:

— Se uma pessoa é gay e busca a Deus, quem sou eu para julgá-la?

É a frase do milênio porque remexe em uma postura milenar da igreja de ênfase no ritual, na defesa da instituição, algo que, pela formalidade, encontra algum paralelo na lei judaica do tempo de Cristo, em que se imaginava que seguir a lei, ou cumprir rituais, já bastava. Então Francisco recuperou aquela que é uma das centralidades da mensagem de Cristo, a humildade. E resgata o que, na visão da igreja, é o essencial: buscar a Deus. Se a pessoa busca a Deus, "quem sou eu para julgá-la?", desfere Francisco.

Essa nova postura, assumida com visibilidade por um papa, tem alto valor simbólico e o poder de se esparramar igreja afora. Assim é que fica mais naturalizado o pedido de perdão do bispo dom Alessandro Ruffinoni diante da repercussão das acusações e do inquérito policial que vieram à tona contra o padre Ezequiel Dal Pozzo, de agressão a uma ex-namorada. O sacerdote nega as imputações. 

Francisco torna a igreja mais humana. O caso caxiense traz de volta ao debate a questão do celibato na Igreja Católica, uma regra de vida, e não um dogma, no entender de Francisco. É regra tão relativa que não vigora em igrejas evangélicas, sem prejuízo algum, mas está valendo para quem escolhe entrar no sacerdócio católico. A situação genérica de uma relação afetiva certamente estará ao abrigo do postulado de Francisco: “Se a pessoa busca a Deus”, é o que importa. “Quem sou eu?” para julgar, ainda que seja o papa. Afinal, é de humanidades que se está falando, de afeto, de sentimento. Sacerdotes não estão imunes, é claro. Mas é uma regra estabelecida pela igreja, e houve uma escolha. Por isso, o bispo Ruffinoni fala em “prudência” nas atitudes e no exemplo. 

Ainda assim, a frase de Francisco é regra de ouro, e deve se sobrepor: "Se a pessoa busca a Deus, quem sou eu?".

Simples assim.

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