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Opinião24/05/2018 | 08h45Atualizada em 24/05/2018 | 16h56

André Costantin: bikemanifesto (4), o idiota em rodas

Lá vem o cara de bike, de novo...

André Costantin
André Costantin

andre@transe.com.br

Lá vem o cara de bike, de novo... Mas não escrevo sobre bike, é sobre os dias pelas ruas, sobre o coração, a vida enfim e suas artérias – entenda quem puder. Chego no ofício de manhã, em São Pelegrino, uma amiga me espera para reunião de trabalho. Não deixa de me olhar com surpresa: “tu veio de bicicleta lá de Monte Bérico?”.

"Sim, yeah" – e vou trocar de camisa, preparar o mate. "É quase uma religião!", cutuca ela. A leve ironia de fundo me surpreendeu um pouco, pois vinha de uma defensora de causas muito atuais e mais fortes, do mundo à Pérola das Colônias, questões de gênero, direitos dos animais e tal.

Depois fiquei ruminando aquele comentário: eu não sou um fanático, um clubista, nunca o fui por nada neste mundo ou outros mundos do além. Mas o papel de ativista da bike me cai bem nestes tempos duros, por isso vou escrevendo estes bikepanfletos, em tons pacíficos ou abruptos, tais o relevo da cidade. 

Pilotando a minha bike pela cidade, devo parecer, mesmo aos olhos de uma pessoa moderna, um cara estranho, excêntrico, ou simplesmente um idiota sobre duas rodas, oscilando entre a invisibilidade e o estorvo. Visão semelhante e histórica sobre a cultura da bike por certo é a dos gestores públicos, vereadores ou outro termo genérico que reúna essa preciosa casta.

Ontem, de São Pelegrino ao Kaiser, fui por um trecho de ciclovia que começa nas imediações da antiga estação férrea. A pista vai ladeando os trilhos pelos fundos do shopping e... 50 metros adiante, eis que acaba numa calçada, indo a lugar nenhum! Ponto. Se a ciclovia simplesmente acompanhasse o curso dos trilhos desativados, pela inércia do olhar, da lógica e da geografia, muita gente poderia se locomover e ver a vida além das tranqueras da Rio Branco, indo do centro da cidade até o Desvio Rizzo, ligando dezenas de bairros pelo caminho, milhares de moradores, em linha plana – herança de mão beijada da engenharia do passado.

No percurso desta ciclovia haveria o parque do quartel (outra insistência minha, ou devaneio? – sem eco). Prefeitos não podem ver o óbvio além de rainhas, princesas e cavalos (?), de que aquela área já perdeu sua função militar ou estratégica (?), que o mundo é outro (?), que aquele sítio poderia ser um sopro urbanístico para a cidade (?). 

Melhor voltar às ciclovias, que nem existem: como aquela que foi inaugurada em véspera de eleição na perimetral norte, uma piada de faixas pintadas no asfalto e cones de plástico aos domingos. Deixa assim. Esqueçam. Eu, o idiota em duas rodas.

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