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Opinião27/04/2018 | 15h43Atualizada em 27/04/2018 | 15h50

Nivaldo Pereira: O ser e o dinheiro

Dinheiro, tradicionalmente, é assunto do signo de Touro

Nivaldo Pereira: O ser e o dinheiro Charles Segat/Charles Segat
Foto: Charles Segat / Charles Segat
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

 “Muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender”. A musiquinha cantada na virada do ano anuncia os valores vistos como garantias de tempos felizes, no contexto de uma cultura capitalista e consumista. Por esse viés, quanto mais dinheiro se tiver, mais acesso se terá aos bens e prazeres da vida – o que, para muitos, é a síntese da felicidade. Dinheiro, tradicionalmente, é assunto do signo de Touro. A estátua de um robusto touro no centro financeiro de Wall Street, em Nova York, reafirma essa associação, nas imediações da principal bolsa de valores do mundo. Mas o que há por trás dessa relação entre o signo e a grana?

Touro vibra no elemento terra, o que o identifica com o plano material. Como signo de meio de estação, de natureza fixa, a terrena materialidade taurina exige sua própria permanência como condição de identidade. O ser conduz ao ter. Mas ter o quê? Regido por Vênus, o planeta dos valores e da expressão do que amamos, Touro vai precisar da satisfação prazerosa de seus sentidos para se sentir alguém, para se sentir bem. O corpo deve estar feliz, sem tensões.

Na autoestima sugerida por Vênus, o que Touro acha belo, e precisa ter ou consumir, é a projeção do seu interno sistema de valores e referências. Não à toa, o símbolo de Vênus é similar a um espelho de mão: vemos fora o reflexo do que somos ou amamos. Até aqui, nada indica o acúmulo de dinheiro como desejo inato dos taurinos. Eles podem viver felizes com o que são e têm, seja numa fazenda ou numa casinha de sapé. Dinheiro é bom, lógico, desde que para manter ou aumentar esse bem-estar.

Os problemas surgem quando não há autoestima nem referências pessoais, quando Touro se mira em espelhos alheios. Desse vazio na alma, brotam ‘‘fomes” insaciáveis do que é valorizado externamente. A posse de coisas ou o controle ciumento do ser amado viram condição de vida. E os problemas se agravam numa cultura que associa plenitude a consumismo. É quando se acha, como na ironia de Nelson Rodrigues, que dinheiro compra até amor verdadeiro. Ouro de tolos!

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