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Literatura27/04/2018 | 13h52Atualizada em 27/04/2018 | 13h52

Dica de livro: "Festa no Covil", de Juan Pablo Villalobos

Na trama, menino Tochli é filho de  um chefão do narcotráfico

Dica de livro: "Festa no Covil", de Juan Pablo Villalobos Maristela Deves/Divulgação
Uso de narrador infantil dá à obra, ao mesmo tempo, um olhar ingênuo e politicamente incorreto, por vezes até mesmo cruel Foto: Maristela Deves / Divulgação
Maristela Scheuer Deves
Maristela Scheuer Deves

maristela.deves@pioneiro.com

Se você gostou da série Narcos, da Netflix, ou das outras produções girando em torno de Pablo Escobar, provavelmente vai amar o livro Festa no Covil (Companhia das Letras, 88págs., R$ 34,90), do escritor mexicano (mas radicado no Brasil) Juan Pablo Villalobos.

É um livro curtinho, fácil de ler, mas muito rico — principalmente por ser narrado do ponto de vista de uma criança, Tochtli, o filho de um chefão do narcotráfico. Com um olhar ao mesmo tempo ingênuo e cruel, o protagonista-narrador vai nos apresentando o seu mundo, um mundo em que todas as suas vontades são satisfeitas (mesmo quando ele resolve querer um hipopótamo anão da Libéria) e no qual ele convive com a violência como algo natural.

"Uma das coisas que aprendi com o Yolcaut é que às vezes as pessoas não viram cadáveres com  uma bala. Às vezes precisam de três balas ou até de catorze. Tudo depende de onde você atira", diz o menino logo nas primeiras páginas, pouco antes de contar de um jogo que ele e o pai (que só chama pelo nome, Yolcaut) costumam jogar: "Um fala uma quantidade de tiros e uma parte do corpo, e o outro responde: vivo, cadáver ou diagnóstico reservado".

Tochtli quase nunca sai da fortaleza em que vive com o pai. Até as aulas são dadas ali mesmo, por um professor selecionado pelo pai. Conhece pouquíssimas pessoas, em geral empregados da casa ou comparsas do pai ("Hoje conheci a pessoa catorze ou quinze que conheço", relata, ao falar de um político que foi jantar na mansão do traficante), e vive inventando coisas para driblar a solidão. Ele também gosta de colecionar palavras e vive lendo o dicionário, o que explica o tom por vezes adulto de Tochtli, embora o fato de ser criança lhe permita ser também um tanto politicamente incorreto. 

O autor do livro também gosta de brincar com as palavras: os próprios nomes dos personagens são um jogo. À exceção da cozinheira, cujo nome remete à comida, todos os outros são nomeados a partir de animais, na língua indígena nahuatl — Tochtli, por exemplo, é coelho, animal ao qual ele próprio se refere por várias vezes no correr da história, e Yolcault, cobra.

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 02/10/2012 - Bate-papo com Juan Pablo Villalobos, 28ª Feira do Livro de Caxias do Sul. Na foto Juan pablo Villalobos. (JONAS RAMOS / ESPECIAL)
Em 2012, Juan Pablo Villalobos esteve em Caxias do Sul, participando da Feira do LivroFoto: Jonas Ramos / Especial

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