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Opinião 04/04/2018 | 09h00Atualizada em 04/04/2018 | 09h00

Ciro Fabres: nossas prioridades 

O que está acontecendo com  nossas escolas, crianças e adolescentes é um sinal poderoso

O que está acontecendo com nossas escolas, ao redor de nossas escolas, com nossas crianças e adolescentes? Essa exposição, que não é de hoje, foi desnudada irreversivelmente pelo estupro e morte da pequena Naiara, pelas duas crianças baleadas perto da Escola Luciano Corsetti, por mais um assassinato de adolescente, este de 17 anos. Aliás, este caso ficou encoberto pelos outros dois, de maior repercussão. Já são três adolescentes mortos neste ano, dois por estarem no raio de presença de pessoas que eram alvos, no Reolon e no São Vicente, e agora este caso no bairro Serrano.

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 Eles se empilham ao longo dos anos, e é como se isso não fizesse diferença na vida da cidade, como se adolescentes que perdem a vida com 13, 14, 15 anos seja algo já corriqueiro, já incorporado aos nossos usos e costumes.

Sobre adolescentes mortos, a cidade, seus órgãos que deveriam dar atenção a adolescentes e as lideranças políticas, historicamente, não se importam. A comprovação é de que não há programa algum de atenção a adolescentes em regiões vulneráveis. Onde mais se tem matado adolescentes nos últimos anos é na região do loteamento Montes Claros, na zona sul da cidade. Ou então eles eram moradores do Montes Claros e foram mortos em algum bairro próximo, e não há notícia de algum programa de atenção a adolescentes focado naquela região da cidade.

Pois o que está acontecendo com nossas escolas, crianças e adolescentes é um sinal poderoso - e não pode haver sinal mais poderoso do que este - de que se impõe uma guinada em nosso jeito de ser cidade. O país vive momentos turbulentos, tensos, agressivos, violentos, que alcançam e roubam outras vidas, muitas igualmente de crianças e adolescentes. Mas temos, aqui em Caxias, essa nossa tragédia local a ser atacada. Nossas escolas têm estrutura física precária, algumas caindo aos pedaços, muitas delas sem internet, sem segurança, com professores mal pagos ou remediados. Agora, depois da perda de Naiara e das crianças baleadas na saída da escola, toca organizar um patrulhamento minimamente visível. 

O cobertor é curto, claro, mas temos de ter uma ação estratégica, integrada, rotativa que seja, mas que construa um ambiente de mais segurança. E temos de olhar para nossos adolescentes, que seguem sendo mortos a conta-gotas.
Essa é a nossa realidade. Temos de mudar nosso jeito de ser cidade. Para isso, atacar esse cenário tem de ser considerado prioridade. A palavra é prioridade. Se assim não for, tudo o mais, o patrulhamento ocasional e a gestão do que já aconteceu, tudo será apenas pirotecnia, quando uma Naiara se vai.  

 
 
 

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