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Opinião09/03/2018 | 17h02Atualizada em 09/03/2018 | 17h02

Tríssia Ordovás Sartori: o poder das palavras

É curioso saber que o amor, esse sentimento que nos aproxima, possui variáveis que nem notamos. Pior: sequer conseguimos nomeá-las. E dar nome é atribuir uma força, um poder a algo, uma forma de percebê-lo

Tríssia Ordovás Sartori: o poder das palavras /
Trissia Ordovás Sartori

trissia.ordovas@pioneiro.com

 Escuto uma versão instrumental de Samba e Amor, de Chico Buarque, enquanto escrevo. É aquela de “Eu faço samba e amor até mais tarde / E tenho muito sono de manhã”, linda, linda. E lembro de ter lido sobre o estudo de um linguista britânico que afirma ter descoberto – e registrado – 14 tipos (o pesquisador usa a palavra ‘sabores’ e não tipos) de amor, em quatro categorias. O pesquisador é Tim Lomas, professor de Psicologia Positiva na Universidade do Leste de Londres, que há três anos cataloga palavras que expressam experiências emocionais positivas em 50 idiomas, mais ou menos. 

Há quem considere o italiano “a” língua do amor, pela sonoridade, ou o francês, pela delicadeza. Até o inglês, pela obra de Shakespeare ou Jane Austin. Mas, para Lomas, é o grego a língua onde as pessoas melhores usam as palavras para explicar um sentimento de maneira específica.

Vamos a elas?

1. Formas impessoais de amor:
Éros - amor por objetos que apreciamos;
Meraki - amor por ações e atividades;
Choros - amor por determinados lugares, como nosso lar.

2. Amor não romântico entre pessoas:
Storge - amor que protege, educa e cuida da família;
Philia - amor que forma laços com os amigos;
Philautia - amor por nós mesmos.

3. Amor romântico:
Epithymía - amor nos desejos sexuais e nas paixões;
Paixnidi - amor romântico pelos afetos;
Prâgma - amor dos relacionamentos duradouros;
Mania - amor nos problemas gerados pela dependência e intimidade com o outro;
Anánke - amor à primeira vista.

4. Formas transcendentais:
Agápe - o amor relacionado à caridade e à compaixão desinteressada;
Koinonía - o amor que leva a auto abnegação temporária;
Sébomai - é o amor como um tipo de devoção por uma divindade.

Temos formas diversas de amar e sermos amados, às vezes mais de uma ao mesmo tempo, numa mesma interação. É curioso saber que esse sentimento que nos aproxima possui sutilezas que nem notamos. Pior: sequer conseguimos nomeá-las. E dar nome é atribuir uma força, um poder a algo, uma forma de percebê-lo. 

Parece improvável que a gente consiga nomear e explicar todas as formas de amar, já que, ao final das contas, todos queremos amar e ser amados. Simples assim. Mas se pudermos, ao menos, expressar a aqueles que gostamos nosso sentimento, já será uma grande conquista.

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