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Literatura12/03/2018 | 08h00Atualizada em 12/03/2018 | 08h00

Pedro Guerra fala de seu novo livro, "Vício", à venda apenas na internet

Escrito à mão e customizado após impressão, livro é o mais pessoal do jovem autor caxiense

Pedro Guerra fala de seu novo livro, "Vício", à venda apenas na internet Roni Rigon/Agencia RBS
Cercado pelas páginas feitas à mão, Pedro comemora seu livro mais pessoal, que classifica como uma miscelânea de escritos Foto: Roni Rigon / Agencia RBS
Maristela Scheuer Deves
Maristela Scheuer Deves

maristela.deves@pioneiro.com

Um livro escrito a mão. Sem capa. Com recadinhos escondidos, desenhos, mensagens personalizadas, customização, cheiro, sabor. E, principalmente, com sentimentos, emoções — assim é Vício (PWX, 152págs., R$ 24,90), novo livro do escritor caxiense Pedro Guerra. Não se trata de um romance. Também não há um crime, como em A Rainha está Morta e outros livros da série Caxienses, ou adolescentes apaixonadas, como em Precisava de Você e Como eu Imagino Você. Mas há, mais do que nunca, uma alta dose do próprio autor.

— O livro todo é uma reciclagem de sentimentos, uma reciclagem do Pedro. Sentia que os leitores não me conheciam realmente — diz o escritor. — É um livro de remendos, de cicatrizes, de machucados, de marcas, pois somos todos feitos de remendos.

Não se trata, porém, de uma autobiografia, ele faz questão de ressaltar:

— Ao mesmo tempo, conta muito de mim, e de todas as pessoas. 

Nas 152 páginas — a maioria escrita à mão, outras formadas com colagens, umas poucas digitadas — estão textos com um tom quase de crônica, relatos, frases, pequenos poemas, pensamentos, ilustrações de próprio punho, algumas fotos. Tudo feito artesanalmente, depois escaneado para a montagem do livro, mantendo-se, inclusive, as rasuras. 

Justamente nesses remendos que Pedro está mais presente, com seus amores e suas dores — semelhantes às de seus leitores. Algumas dores, no entanto, são mais particulares, como o desabafo sobre as vezes em que escutou que não sabia escrever. Com mais de 20 mil livros vendidos, ele decidiu não se abalar:

— Escrevo para transbordar, para botar para fora. Não vou esperar estar perfeito para publicar — aponta, dizendo que enfim sente-se no controle da sua própria narrativa.

O livro, aliás, foi concebido como uma forma de retomar esse controle após um ano intenso. Em 2017, foram dois livros lançados, um concurso literário com o seu nome, participação na Bienal do Rio, visitas a 32 escolas e várias feiras do livro. Quando 2017 chegou ao fim, estava com a energia em baixa, e, querendo fazer algo mais pessoal, desengavetou o projeto de Vício, idealizado ainda em 2016. 

— É um livro de sentidos, tanto que, de início, nem chamei de livro, mas sim de experimento. E como é algo pessoal, resolvi escrever a mão.

Para aqueles que ficaram curiosos com o título e se perguntam qual é, afinal, o vício de Pedro, ela brinca que já foi viciado em refrigerantes e descongestionantes nasais. Também muito cedo viciou-se na escrita. Mas seu verdadeiro vício, diz, é outro:

— Sou viciado nas pessoas, e nos sentimentos que elas despertam, que, afinal, são a matéria dos meus livros.

Bate-papo

Nesta segunda-feira, Pedro Guerra é o convidado do bate-papo Órbita Literária, no qual falará sobre quando alguém se torna um escritor. Com entrada franca, o encontro será na Do Arco da Velha Livraria e Café (Rua Dr. Montaury, 1.570) e começa às 20h.

Curiosidades

:: Para a confecção do livro, Pedro usou diversos tipos de papel, de páginas de caderno a pedaços de jornal e até matrizes roxas, daquelas usados nos antigos mimeógrafos.

:: Após passar dezembro e janeiro escrevendo, agora Pedro se dedica à personalização manual de cada cópia (para as 25 primeiras, levou cinco horas).

:: Não será feito lançamento, e, ao menos por enquanto, o livro está à venda apenas no site do escritor, www.escritorpedroguerra.com (avulso ou em formato de combo com outros itens), com envio pelo correio.

:: No clima de reciclagem, Vício é enviado pelo correio em uma embalagem feita com saco de lixo, dentro da qual está uma caixinha para acondicioná-lo — o livro em si é apenas costurado, sem capa.

:: Logo nas primeiras páginas, o leitor vai encontrar um envelope contendo um saquinho de chá, para ser tomado durante a leitura (o apelo ao sabor é complementado com um pirulito).

:: Uma dica: leia o livro com caneta e papel ao lado, para ir anotando as letras em negrito que aparecem aqui e ali; elas vão formar um outro texto, escondido em meio ao texto principal.

:: Como no livro não foi possível passar as texturas e cores do original, Pedro abriu a possibilidade de os leitores comprarem as páginas originais, avulsas, também pelo site.

:: Quem for doador de sangue (em qualquer cidade) tem desconto no livro.

:: Indeciso em sobre como classificar a obra (romance? contos? crônicas?), o autor acabou optando por registrá-la como "miscelânea de escritos brasileiros".

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