Natalia Borges Polesso: um mundo ideal - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião27/03/2018 | 09h22Atualizada em 27/03/2018 | 09h22

Natalia Borges Polesso: um mundo ideal

Porém, igualdade social colabora imensamente para um mundo mais justo

Natalia Borges Polesso

nbpoless@gmail.com

O pai beija a filha na testa e a deixa na frente da escola. A menina entra e senta com seus colegas. Eles conversam sobre o dia, que será quente. A professora chega contente, teve uma noite bem tranquila, descansou, não precisou levar trabalho para casa, recebe seu salário em dia, não tem preocupações. As crianças assistem à aula interessadas, a professora fala sobre respeito e sobre o meio-ambiente. 

Todas as crianças têm lápis, caneta, borracha, lápis de cor até, têm tudo, casa, amor, comida, não falta nada neste mudo ideal.  Neste mundo ideal, a mãe está no trabalho, o pai está no trabalho, os dois amam o que fazem e recebem bem por isso. Pensam em viajar no fim do ano, pensam e pôr os filhos numa aula de idioma, inglês, francês, espanhol, italiano, pensam em fazer natação, tênis, escolinha de futebol, aula de canto, aula de desenho, robótica. Os irmãos, também na escola, estão no clube de xadrez, no clube do livro, no clube de ciências, de fotografia, e gostam de tudo isso. A mãe mostra uma foto da filha para a colega de trabalho que diz que ela e sua parceira estão à espera de um menino. Não há mais crianças para adoção neste mundo ideal, todas têm uma família. 

O pai diz ao colega que sairá mais cedo do trabalho, pois precisa ir a uma reunião na escola, porque seu filho mais velho ganhou a olimpíada de matemática e vai precisar viajar para competir as regionais. O colega o felicita. Não tem filhos, não quer ter, está contente com gatos e cachorros e quer viver sozinho. O pai sorri pela escolha do outro e deseja-lhe um ótimo dia. E vai para seu compromisso. No fim do dia, neste mundo ideal, a família se junta em torno de uma mesa farta e comem e falam sobre seu dia. A menina está contente, voltou para casa a pé com seus amigos, pois havia sol. Há segurança neste mundo ideal, e há fartura. E eles comem e conversam sobre seus projetos de vida, e sobre o amor ao próximo, e sobre partilhar. Não há comentários ruins neste mundo ideal. Não se pode fazer comentários sobre o que não existe e nada de ruim existe neste mundo ideal.

Este mundo ideal está aí, só que não ao alcance de todos. É um mundo exclusivo.

É claro que o dinheiro não para, nem desfaz monstruosidades, como o assassinato de uma menina ou o espancamento de uma mulher acompanhada pelo filho pequeno, afinal, quem inflige qualquer sofrimento ao outro, o faz por vontade de provocar o mal.

Porém, igualdade social colabora imensamente para um mundo mais justo. Em 2017, o número de bilionários no mundo subiu bastante, tanto que suas riquezas poderiam acabar com a pobreza extrema sete vezes.

Há outros assassinatos, genocídios até, diários, provocados por uma sociedade doente e desigual.

Então a gente reza e torce e luta e tenta sobreviver neste mundo que nos foi oferecido.

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