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Opinião08/03/2018 | 08h15Atualizada em 08/03/2018 | 08h15

Natalia Borges Polesso: 8M

Um número e uma letra que fazem referência a um movimento mundial, pensado e trabalhado todos os dias do ano

Natalia Borges Polesso

nbpoless@gmail.com

Um número e uma letra. Simples. Um número e uma letra que fazem referência a um movimento mundial, pensado e trabalhado todos os dias do ano, celebrado e principalmente visibilizado hoje, no dia 8 de março, dia internacional da mulher. Na verdade, este movimento celebra o compromisso assumido por tantas mulheres de reivindicar e lutar por direitos. 

O 8M é um movimento com muitas identidades, diverso como os feminismos precisam ser, que defende esta pluralidade e entende que estamos todas fartas de agressões, humilhações, exclusões; estamos fartas da precarização da nossa saúde, a desvalorização do nosso trabalho; estamos fartas da violência, da opressão, da nossa marginalização. 

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É, sobretudo, um movimento politicamente engajado, e veja bem, eu disse politicamente engajado (não partidariamente, embora alguns partidos colaborem mais para a representatividade da mulher do que outros), que se preocupa em instalar políticas sociais para que soframos cada vez menos com as múltiplas faces do patriarcado e para que sejamos mulheres livres em territórios de liberdade educacional, laboral, sexual, familiar, entre outros.

Um dos eventos principais do 8M, fora os grandes encontros e passeatas ao redor do mundo, é a greve geral de mulheres. A ideia da greve é fazer compreender que, se a sociedade do modo de produção capitalista nos trata com inferioridade ou com um paternalismo malicioso, poderia então produzir sem nós, as mulheres. Um dos slogans diz "se nossos corpos não contam, produzam sem nós".

Para além da greve, propõe-se, neste dia 8, que pensemos em nossas vidas e na vida das nossas semelhantes, mas que pensemos juntas. Por isso vemos pelo mundo tantos encontros, passeatas, leituras e falas. É a culminância de um movimento que durante o ano inteiro, como eu já disse, agrega mulheres em luta, mulheres interessadas em melhorar as condições de vida de todas nós. É um dia de falas múltiplas e também de escuta mútua.

Se você se sente parte disso, procure saber das articulações perto de você, certamente você será bem recebida. Se você acha que patriarcado é uma palavra feia, obsoleta e inventada por  feminazis-esquerdopatas, procure saber das articulações perto de você, veja o que você pode aprender sobre e o que você pode fazer. Se você está no meio do caminho entre uma coisa e outra, procure saber das articulações perto de você.

Façamos parte do mundo. Vamos ajudar a transformá-lo em um lugar menos áspero, quiçá, mais justo. Isso é para todas e por todas nós, todos os dias do ano.

Nos vemos hoje na rua.

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