"Economia da cultura é desafiadora", diz Manoel Marcondes Neto, em Caxias - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Comunicação27/03/2018 | 10h13Atualizada em 27/03/2018 | 10h17

"Economia da cultura é desafiadora", diz Manoel Marcondes Neto, em Caxias

O doutor em Ciências da Comunicação falou sobre economia da cultura

"Economia da cultura é desafiadora", diz Manoel Marcondes Neto, em Caxias Júlio Soares / Divulgação/Divulgação
Foto: Júlio Soares / Divulgação / Divulgação
Tríssia Ordovás Sartori
Tríssia Ordovás Sartori

trissia.ordovas@pioneiro.com

– Se existe um consumo de cultura e existe marketing cultural, existe a economia da cultura, embora as faculdades de economia ainda não a reconheçam – versou Manoel Marcondes Neto, doutor em Ciências da Comunicação que proferiu palestra na reunião-almoço da CIC de ontem.

Durante a conversa, ele abordou a importância da economia criativa como estratégia para construir valor a uma empresa ou marca. Disse que é fundamental olhar para a produção cultural, para os artistas, e aproximar as empresas dos produtores de cultura. O desafio é grande, admite, uma vez que o Brasil usa um percentual pequeno para destinar ao desenvolvimento do setor cultural. 

– A Unesco prevê que se invista 1% do orçamento em cultura. Esse é o mínimo necessário para que saibamos quem somos. Quando esse valor não é aplicado, deixamos espaço (como pertencentes ao país, como construção de identidade) para que outros ocupem nosso lugar – explicou.

Ao reforçar a importância da cultura no cotidiano das empresas, Marcondes Neto dissocia a ideia de produção cultural das leis de financiamento à cultura – para ele, "uma coisa não depende da outra":

– É preciso desmistificar a ideia de que marketing cultural necessita de incentivo fiscal. Já houve incentivo fiscal para vários setores, como a indústria aeronáutica, não apenas para a cultura. Não criamos uma cultura de apoio genuíno a ela – diz. – É uma indústria com muito potencial para crescer.

Destaca, ainda, a diferença do papel do Estado e da iniciativa privada no que se refere à promoção cultural, que podem se unir em alguns momentos, como nos financiamentos, mas que tem objetivos separados. Marcondes explicou também que os produtores culturais precisam equipar-se para lidar com um público específico.

– Em se tratando de marketing cultural, se está lidando com fruição, uma dimensão muito especial de consumo e um espaço virtual de reflexão, troca de informações e prestação de serviços para todos aqueles que se interessam pelas questões que envolvem arte, comunicação, cultura, gestão, marketing, patrocínio e políticas públicas e privadas de cultura – reforçou.

Um dos maiores desafios do setor talvez seja a dificuldade de mensurar os resultados com dados precisos.

– Os empresários não conhecem o setor e têm, como todos, resistência ao desconhecido. É preciso falar mais sobre o assunto, educar as pessoas para que tenham contato com isso – completou.

Consulta

Durante a reunião-almoço, a diretoria de Cultura e Educação da CIC disponibilizou uma pesquisa a ser respondida pelos participantes, para ver quem tem interesse por marketing cultural e como, através dele, é possível inserir marcas no contexto nacional e regional.

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