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Opinião09/02/2018 | 10h29Atualizada em 09/02/2018 | 10h34

Ciro Fabres: a cidade menos alegre

Nos tornamos cada vez mais uma cidade que não celebra, que não tem tempo para isso

O fevereiro desponta melancólico em Caxias do Sul. Sem Carnaval. Sem Festa da Uva. Nada de celebrações comunitárias, portanto. O negócio é correr atrás da sobrevivência, de ganhar dinheiro, o tempo todo, sem pausas. Festas populares, não é com Caxias. A cidade não quer. Houve anos, não faz muito, em que as cortes e comitivas das duas festas, que coincidem no calendário, se encontravam e convidavam a população para celebrar, depois de um ano de trabalho. Esse tempo passou. Fevereiro de 2018 é só silêncio, tirando, é claro, o barulho dos veículos nas ruas. Esses reinam soberanos, nunca param.

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Caxias do Sul, está mais do que provado, tem espaço para o Carnaval. Assim comprovam os blocos, a manifestação que resta, com numerosa participação, milhares de pessoas enchendo ruas. Mesmo assim, um deles já foi “arredado” para a famosa Plácido de Castro, removido das ruas mais centrais, assim como já foram os desfiles das escolas de samba, que um dia houve, os da Festa da Uva e outras programações comunitárias. E um dos argumentos é o de sempre: não atrapalhar o trânsito. Esse argumento é mortal e esclarecedor: celebrar não tem centralidade na vida da cidade. Sai do Centro. Os carros têm. Celebrações e manifestações populares tornam-se estorvo. A cidade não pode parar.

As escolas de samba permanecem em silêncio já faz 2 anos. Outra vez, não receberam nenhum apoio. A tese até é correta: incentivar a sustentabilidade, que as entidades ganhem autonomia para sustentar a programação. Mas não estamos tratando com escolas do Rio. Não se poderia cortar toda estrutura, de uma hora para outra, sob justificativa de uma falsa dicotomia: a população quer saúde, então corta-se todo gasto possível. Claro que quer saúde, mas não se deixa o resto de lado. Mesmo assim, a espera persiste longa no pronto-atendimento e a vida continua, em seus distintos campos de manifestação, festas comunitárias inclusive. A cidade precisa prosseguir, ampla, pulsante, com sua diversidade, e administrações públicas estão aí para organizar as coisas. 

Quanto à Festa da Uva, sem ela, é a identidade de Caxias que perde espaço. Péssimo.  Anunciaram-se programações alternativas, mas quase nada se vê. A cidade não respira aquilo que é sua marca, que a torna reconhecida: a uva, seus produtores, sua colheita. Não se envolve, não se compromete.

Assim, nos tornamos cada vez mais uma cidade que não celebra, não festeja, não comemora, não confraterniza, não se encontra, não convive. Uma cidade que não tem tempo para isso. Há prejuízos comunitários e econômicos. O fevereiro 2018 é um atestado límpido desse jeito de ser.

A cidade prefere assim. Fica menos alegre. Que lástima.

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