Natalia Borges Polesso: ano novo - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião02/01/2018 | 11h00Atualizada em 02/01/2018 | 11h00

Natalia Borges Polesso: ano novo

Desejo que nos coloquemos mais no lugar do outro e que busquemos entender este outro

Natalia Borges Polesso

nbpoless@gmail.com

Para embarcar no novo ano, é preciso acreditar. Acreditar que de fato algumas coisas se renovam. Como se subíssemos à tona, desde certa profundeza, e enchêssemos os pulmões de ar fresco. Não se pode crer que seja como um dia qualquer. É pouco. 

Eu acredito no poder transformador do novo ano. É muita gente empregando força e desejo, energeticamente, é impossível que passemos incólumes. Acho que nos transformamos um pingo também. Claro, há quem não acredite, quem pensa que é um dia comum, uma passagem de calendário, meramente. Vira a folhinha e pronto, acabou.

Eu não. Eu acredito.

Porque se não for assim arrastaremos tudo para dentro de uma nova casa, de uma nova oportunidade. Arrastaremos o que deveria ficar para trás.

Não digo que precisamos esquecer dos eventos e entrar sem memória. Digo soltar, para ficarmos mais leves, mais ágeis, mais preparados. Soltar e agradecer honestamente o que vivemos.

Por isso, o desejo é tão importante. O desejo é uma força que nos move. 

Portanto, compartilho meu inventário de desejos para 2018.

Que esta catrefa de políticos nojentos e conservadores desapareça; que gente apoiadora de Bolsonaro compreenda a canalhice deste ato;  aliás, que o próprio também esteja fora do pleito; que o consumismo desenfreado seja substituído pelo consumo consciente; que o estado seja realmente laico; que as mulheres sejam respeitadas profundamente, e como consequência, parem de ser estupradas, violadas, agredidas, reguladas, mais do que isso, que sejam ouvidas, que sejamos, aliás; que a universidade pública continue pública e de qualidade; que haja bolsa de estudos, de viagens, bolsa família, programas de incentivo à educação; que a cultura seja valorizada e financiada, para que os artistas possam trabalhar e as pessoas possam ter acesso a música, shows, espetáculos, filmes, programas, peças, literatura, exposições, cursos, oficinas, discussões. Acima de tudo, eu desejo criatividade e vontade de pensar, desejo que nos coloquemos mais no lugar do outro e que busquemos entender este outro; que haja diversidade identitária e respeito; que haja disposição ao diálogo e conversas animadoras sobre o futuro.

Eu desejo choro e riso e gozo. Arco-íris, sol e chuva e terra e barro para afundar os pés e plantar sementes e aguar paraísos, aquecer os ombros, e olhar além.

Feliz 2018.


 
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