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Opinião30/01/2018 | 13h26Atualizada em 30/01/2018 | 13h26

Natalia Borges Polesso: acabou chorare

Como a gente sabe que não estamos apenas começando alguma coisa que talvez não vingue?

Natalia Borges Polesso

nbpoless@gmail.com

Acabou janeiro, é hora daquele balanço, e também é hora daquela projeção malandra, esperançosa de como será o ano. Aqueles planos vão rolar? Os boletos vão ser pagos? De que jeito? Uma viagem ou vírgula? Fazer os exames extras daquele check-up? 

Ligar, marcar, desmarcar, chamar o eletricista pra consertar aquela tomada que nunca funcionou, emoldurar as gravuras, comprar a passagem antes que os preços fiquem impraticáveis. Fazer um rancho e pagar só em abril ou comprar uma tevê nova, tela plana. Alguns tiraram férias, outros ficaram pela cidade, nada de mais aconteceu, continuam picotando a Sinimbu na frente da minha casa, não sei, pode ser só uma alucinação auditiva, afinal, estavam picotando a Sinimbu desde 2017. "Desde 2017" agora quer dizer alguma coisa, mas se eu disser desde 2013, aí já se foram cinco anos! Uma criança de cinco anos já é bem autônoma, cinco anos é bastante tempo, mas um mês, o primeiro mês é tempo demais. Já estamos cansadas e cansados! Cansadas dos começos! Os começos, eles são intermináveis. Como a gente sabe que não estamos apenas começando mais uma vez alguma coisa que talvez não vingue? Começam hashtags #acaba2018 #cancelaoano, porque as catástrofes já aconteceram, os milagres também. Desabamentos de terra, alagamentos, santos em fatias de pão, a mega da virada, dizem que demora pro dinheiro chegar. Nada de mais aconteceu? Ao menos a azia das festas, o fedorão das brigas familiares, a memória do porta-malas abarrotado e todas as bobageiras que compraram nas férias ficando para trás junto com o lixo que não separaram, com certeza, tudo isso já se dissipou em planilhas, reuniões, aulas de verão e na primeira folhinha do calendário, que só será rasgada no fim de fevereiro, depois do Carnaval, porque ninguém nunca lembra de arrancar a primeira folhinha do calendário. Ninguém aguenta mais beber e daqui a pouco tem o Carnaval. E tem Carnaval mesmo por aqui, apesar de você, vai ter. Mas aí, toma uma magnésia e pensa que o ano vai ser bom. Pronto, acabou chorare ficou tudo lindo de manhã cedinho tudo cá, vai na fé, acabou chorare no meio do mundo. Respire fundo! Vai que o ano ainda é lindo. E tem Carnaval daqui a pouco, apesar de você, tem mais a quarta e acabou janeiro, faz plano que vai dar certo. E toma uma magnésia pra aguentar a azia, que depois de fevereiro, os estandartes baixarão, porque o ano é de bandeiras.

 
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