Globo de Ouro abre eventos de premiação declarando guerra ao abuso de poder em Hollywood - Cultura e Tendência - Pioneiro

Versão mobile

 

Cinema09/01/2018 | 09h41Atualizada em 09/01/2018 | 10h51

Globo de Ouro abre eventos de premiação declarando guerra ao abuso de poder em Hollywood

A maioria dos convidados vestiu preto no tapete vermelho, em sinal de repúdio ao casos de assédio e em solidariedade às vítimas

Globo de Ouro abre eventos de premiação declarando guerra ao abuso de poder em Hollywood AFP/AFP
Foto: AFP / AFP
Estadão Conteúdo
Estadão Conteúdo

Hollywood declarou guerra ao assédio sexual e ao abuso de poder na indústria do entretenimento, domingo, no Globo de Ouro. As denúncias de assédio e estupro contra o antes poderoso produtor Harvey Weinstein revelaram uma cultura praticada por importantes personalidades da indústria, como Kevin Spacey, Brett Ratner, Dustin Hoffman e James Toback. Várias investigações policiais foram abertas, mas ninguém até agora foi processado.

Leia mais
Cerimônia do Globo de Ouro foi marcada por manifestações contra o assédio sexual em Hollywood
Jornalista Daiana Garbin abre a programação do ano da Confraria da Mulher, em Caxias do Sul
Rede Cinépolis tem um clube de vantagens com benefícios aos cadastrados

Durante a cerimônia, o anfitrião Seth Meyers não perdeu tempo e abordou o tema logo na abertura da festa.

– Boa noite, damas e cavalheiros que restam. É 2018, a maconha finalmente foi liberada e o assédio sexual finalmente não é – disse o mestre de cerimônias ao saudar a plateia. – Para os indicados na sala esta noite, esta é a primeira vez em três meses que não será assustador ouvir seu nome sendo lido em voz alta – prosseguiu.

O Globo de Ouro abre a temporada de prêmios, sendo, portanto, a primeira vez que as grandes estrelas se reúnem desde que veio à tona o escândalo sobre o antes prestigiado produtor, Harvey Weinstein, há três meses. A maioria dos convidados vestiu preto no tapete vermelho, em sinal de repúdio ao casos de assédio e em solidariedade às vítimas. O uso das roupas pretas era em apoio ao movimento Time’s Up, que combate a discriminação não apenas em Hollywood, mas no país inteiro. A campanha mobiliza mais de 300 atrizes, diretoras e agentes, e já angariou 14 milhões de dólares para ajudar vítimas de assédio sexual.

Diferentemente do que ocorre sempre nas premiações, quase não se falou sobre vestido, cabelo e maquiagem. Não havia clima para isso. Se nos últimos anos a campanha #AskHerMore já intimava jornalistas a consultar as atrizes sobre coisas menos frívolas do que roupas, desta vez, ninguém foi capaz de fazer a pergunta “de onde é o seu vestido?” – para a infelicidade das marcas de luxo, que emprestam tudo em troca da publicidade.

O debate sobre a equiparação do valor dos cachês entre homens e mulheres também foi levantado. Um pequeno broche escrito "50:50" reivindicava oportunidades iguais. Alguns atores demonstraram simpatia usando black-tie com a camisa preta. Atrizes como Meryl Streep levaram ativistas à premiação. No tapete vermelho, ela destacou que “as pessoas estão conscientes do desequilíbrio no poder”.

A atriz indicada ao Oscar e apresentadora de TV Oprah Winfrey foi quem fez o discurso mais contundente da noite. Ao agradecer o prêmio honorário Cecil B. Demille, ela saudou o movimento #MeToo (“EuTambém”), que rapidamente ganhou força após as primeiras denúncias contra Weinstein, discursou sobre racismo, desigualdade de gênero e assédio ao ser premiada com o Cecil B. DeMille Award no evento. 

– Eu me inspiro em todas as mulheres que tiveram o poder e a força de compartilhar suas experiências pessoais – disse, sob aplausos. – O tempo dos abusadores já acabou – decretou Oprah.

PREMIADOS

Cinema

Melhor filme de drama: Três Anúncios Para um Crime
Melhor atriz em filme de drama: Frances McDormand, Três Anúncios Para um Crime
Melhor ator em filme de drama: Gary Oldman, O Destino de uma Nação
Melhor filme de comédia ou musical: Lady Bird: A Hora de Voar
Melhor atriz em filme de comédia ou musical: Saoirse Ronan, Lady Bird: A Hora de Voar
Melhor ator em filme de comédia ou musical: James Franco, O Artista do Desastre
Melhor atriz coadjuvante: Allison Janney, Eu, Tonya
Melhor ator coadjuvante: Sam Rockwell, Três Anúncios Para um Crime
Melhor diretor: Guillermo Del Toro, A Forma da Água
Melhor roteiro: Martin McDonagh, Três Anúncios Para um Crime
Melhor filme em língua estrangeira: Em Pedaços (Alemanha/França)
Melhor canção original: This Is Me, de Benj Pasek e Justin Paul para O Rei do Show
Melhor animação: Viva: A Vida é uma Festa
Melhor trilha sonora: Alexandre Desplat, A Forma da Água

TV

Melhor série de drama: The Handmaid’s Tale
Melhor atriz em série de drama: Elisabeth Moss, The Handmaid’s Tale
Melhor ator em série de drama: Sterling K. Brown, This is Us
Melhor série de comédia ou musical: The Marvelous Mrs. Maisel
Melhor atriz em série de comédia ou musical: Rachel Brosnahan, The Marvelous Mrs. Maisel
Melhor ator em série de comédia ou musical: Aziz Ansari, Master of None
Melhor minissérie ou telefilme: Big Little Lies
Melhor atriz em minissérie ou telefilme: Nicole Kidman, Big Little Lies
Melhor ator em minissérie ou telefilme: Ewan McGregor, Fargo
Melhor atriz coadjuvante em série: Laura Dern, Big Little Lies
Melhor ator coadjuvante em série: Alexander Skarsgard, Big Little Lies

Prêmio Cecil B. Demille: Oprah Winfrey

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros