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Saúde26/01/2018 | 14h00Atualizada em 26/01/2018 | 15h26

Dermatologista explica como tratar ou prevenir o temido "torrão" neste verão

Além das medidas diretas, cuidados secundários também podem facilitar a recuperação

Dermatologista explica como tratar ou prevenir o temido "torrão" neste verão Daniela Xu/Agencia RBS
Foto: Daniela Xu / Agencia RBS
Gazeta do Povo

Era um lindo dia de calor com sol ameno ou entre nuvens. Você observou aquela aparentemente baixa incidência de raios solares e achou desnecessário usar o protetor solar da maneira adequada. Mas o sol é ardiloso e, por isso, agora você tem uma pele com cor de tomate e textura de couro sintético quando começa a se desintegrar. Bem-vindo ao não tão seleto clube dos seres humanos que já tomaram um "torrão".

Dermatologistas provavelmente ficariam arrepiados só de te ouvir rindo ao relembrar uma situação como essa. É que as consequências do famigerado torrão vão muito além da dor causada pela vermelhidão, como explica Paulo Ricardo Criado, coordenador do departamento de medicina interna da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

– Isso leva tanto a efeitos agudos, que seriam as queimaduras solares, quanto a efeitos crônicos, cumulativos para o DNA da pele. O efeito mínimo seria o envelhecimento precoce, como rugas, perda de elasticidade e afinamento. Mas também há um risco de desenvolver câncer de pele – diz.

O especialista afirma que alguns estudos já demonstraram que a cada vez que uma criança sofre queimadura solar com formação de bolhas, duplicam as chances de que ela tenha um melanoma na vida adulta. De acordo com a também dermatologista Annia Cordeiro, "o DNA das células da pele faz com que ela funcione de determinada forma. À medida que sofre essas mutações ele se desorganiza aos poucos. A mutação vai piorando até o ponto em que há uma desorganização completa. Esse é o surgimento do câncer". Por isso, enquanto o vermelhão vai embora, uma parte desse dano nunca mais será reparada.

Proteção nunca é demais

– Para ter um metabolismo saudável nós precisamos de exposição solar por períodos de 10 a 15 minutos, de duas a três vezes por semana. E, no máximo, na face, braços ou pernas, sempre entre as 11h e as 14h – pondera Paulo Ricardo Criado.

Depois desse limite, no mínimo sua pele vai se tornar precocemente envelhecida. Uma vez que, na época do calor, as pessoas ficam muito mais tempo que 15 minutos ao sol, passar e repassar o filtro solar ao longo do dia ainda é a melhor forma de garantir que a pele não sofra os efeitos danosos do sol. Usar roupas com fator de proteção solar é outra forma de diminuir os prejuízos para a pele.

O dermatologista afirma que esses cremes precisam ter fator de proteção UVB de pelo menos 30 e UVA com intensidade de moderada a alta. E a aplicação não pode ser econômica: 

– O filtro tem que ser aplicado meia hora antes da exposição e reaplicado a cada duas horas. Após transpiração excessiva ou imersão, é recomendável que se reaplique o filtro, mesmo que ele seja resistente à água.

Como diminuir a ardência?

Por que o torrão dói? Paulo Ricardo Criado detalha a complexa cadeia de acontecimentos que geram a dor: 

– A exposição à radiação UVB provoca dilatação dos vasos sanguíneos. Isso causa a vermelhidão e uma inflamação que vai lesar a epiderme e produzir o aumento de água na pele, daí o inchaço. Essas substâncias químicas ainda produzem estimulação dos nervos, o que gera a sensação de queimação e coceira.

Torrão tomado, não há muito como desfazer o estrago. Mas algumas medidas podem ajudar a aliviar a dor. A primeira delas é pegar pesado na hidratação via oral, principalmente com água filtrada. Segundo o dermatologista, compressas de água fria – não gelada – também amenizam o problema. Há no mercado alguns medicamentos que ajudam no processo, mas elas só devem ser tomadas com receita médica. Annia recomenda, ainda, o uso de cremes hidratantes.

– Também se pode usar aloe vera, a babosa. Ela é muito potente e ajuda bastante a diminuir a ardência no local – explica.

Além das medidas diretas, cuidados secundários também podem facilitar a recuperação. 

– É preciso repousar, porque isso é um estresse metabólico, cardiovascular. Com a dilatação dos vasos sanguíneos, o sangue é dirigido para a pele, e não para as vísceras, onde deveria estar. Então o trabalho muscular excessivo pode acarretar problemas circulatórios que agravem o mal estar – completa Criado.

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