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Literatura05/01/2018 | 14h11

Confira dicas de leitura para as férias

Neste domingo, dia 7 de janeiro, se comemora o Dia do Leitor

Confira dicas de leitura para as férias Daniela Xu/Agencia RBS
Não importa se é best-seller ou livro consagrado pela crítica: o importante é aproveitar o tempo livre e colocar a leitura em dia Foto: Daniela Xu / Agencia RBS
Maristela Scheuer Deves
Maristela Scheuer Deves

maristela.deves@pioneiro.com

Neste domingo, 7 de janeiro comemora-se o Dia do Leitor, e o Almanaque resolveu trazer algumas dicas para quem quer colocar a leitura em dia. Afinal, janeiro é também mês de férias, e com elas vem o tão precioso tempo livre — e a falta de tempo é o principal motivo para aqueles que gostam de ler lerem pouco, segundo a 4ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (supera em seis vezes o preço do livro). 

Então, vale aproveitar a "folga" e levar livro para a praia, para o interior, para aqueles momentos em que estiver descansando na rede, pegando um bronzeado na areia, viajando de ônibus/avião... Nestas sugestões que selecionamos para você, tem best-seller, obra premiada e lançamento de autor local. 

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Ah: os preços indicados são os de tabela, mas se pesquisar, você pode conseguir bons descontos. Confira as dicas, e lembre-se de que estas são apenas sugestões — o que vale é ler. 

Outra sugestão é aproveitar as férias e se associar à Biblioteca Municipal Dr. Demetrio Niederauer, de Caxias do Sul, que fica junto à Casa da Cultura, na Rua Dr. Montaury, 1.333, no Centro. Para se associar, basta apresentar documento com foto e comprovante de residência e pagar uma taxa de R$ 10, que pode ser substituída pela doação de um livro. A biblioteca abre das 8h às 18h, de segunda a sexta, sem fechar ao meio-dia.

Vamos às dicas:

Em Águas Sombrias

Capa do livro Em Águas Sombrias, de Paula Hawkins, para matéria com dicas de leitura.
Trama foi escrita pela mesma autora do sucesso "A Garota no Trem"Foto: reprodução / reprodução

Mesmo que você não reconheça de imediato o nome da autora, Paula Hawkins, provavelmente já ouviu falar de seu livro anterior, o best-seller A Garota no Trem, que virou filme com Emily Blunt em 2016. Pois seu novo livro, Em Águas Sombrias (Record, 364págs., R$ 42,90), leva ao leitor o mesmo clima de suspense e de incerteza. 

Um ponto interessante é que a trama — que envolve a morte suspeita de Nel Abbot, uma mãe solteira cujo corpo é encontrado no rio que corta a cidade — é contada de dez diferentes pontos de vista. Cinco deles são em primeira pessoa: os de Jules, a irmã que não falava com ela há anos; de Lena, a filha adolescente de Nel; de Sean, o policial encarregado de chefiar a investigação sobre a morte; de Erin, a outra detetive; e de Josh, irmão de Katie, jovem que morreu meses antes no mesmo local, conhecido como Poço dos Afogamentos. Os outros cinco, em terceira pessoa, são de Louise, mãe de Katie; de Patrick, pai de Sean; de Mark, um professor da escola; de Helen, mulher de Sean; e de Nickie, uma vidente considerada louca.

Por vezes, o relato de um e outro não fecham, e a impressão inicial do leitor é de que foi um deslize da autora. Não é o caso. Como já entrega uma das epígrafes do livro, a trama trabalha com segredos do passado e com a noção de que a memória, por vezes, nos trai, nos confunde. Essa característica amplia o suspense: será que os fatos, do presente e do passado, aconteceram realmente como estão sendo contados?  

A Resistência

Capa do livro A Resistência, de Julián Fuks, para matéria com dicas de leitura
Obra conquistou diversos prêmio, como o Jabuti, o Oceanos e o José SaramagoFoto: reprodução / reprodução

Aquela velha advertência que vinha impressa na folha de rosto dos livros décadas atrás, de que "esta é uma obra de ficção; qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência", definitivamente não se aplica ao romance A Resistência (Companhia das Letras, 139págs., R$ 37,90), de Julián Fuks. Sim, trata-se de ficção, mas mais precisamente de autoficção, gênero bem em voga na atualidade e em que as linhas entre o real/autobiográfico e o "inventado" por vezes são tão tênues que somem da vista do leitor. 

Laureado com vários prêmios — Livro do Ano de Ficção no Jabuti 2016, 2º lugar no Oceanos 2016 e José Saramago 2017 —, o romance tem como narrador o filho de um casal de intelectuais argentinos que se exilaram no Brasil durante a ditadura naquele país. Esse é o primeiro ponto em comum com a biografia de Fuks, mas não o único. Logo na primeira linha da história, o narrador anuncia: "Meu irmão é adotado, mas não posso e não quero dizer que meu irmão é adotado". Isso também é transplantado da vida real, pois o autor, nascido em São Paulo, tem um irmão mais velho, adotado pelos pais antes de deixarem a Argentina.

Assim, nada mais natural do que ver nos relatos do livro um enredado de memórias reais, que remetem a relações familiares, política, violência e identidade, passando ainda pelas Mães da Praça de Maio, pela resistência à ditadura e pela sensação de pertencimento (ou não pertencimento).

Eu Sei Onde Você Está

Capa do livro Eu Sei Onde Você Está, de Claire Kendal. Matéria sobre dica de leituras para as férias.
Suspense traz um tema que precisa ser discutido: a perseguição às mulheres por homens que não sabem ouvir um "não"Foto: reprodução / reprodução

Thrillers costumam ser vistos como mero entretenimento, e não há nada errado em ler um livro apenas para espairecer. Mas há aqueles que vão além e, sem deixar de ser uma leitura instigante, tocam também num tema importante e delicado. É o caso de Eu Sei Onde Você Está (Intrínseca, 304págs., R$ 44,90), de Claire Kendall, que traça o retrato de uma mulher perseguida por um admirador não desejado.

Não importa onde vá ou o que faça, Clarissa, a protagonista, sempre esbarra em Rafe, um colega de trabalho que parece sempre saber onde ela estará. Ele também a sufoca com telefonemas, está sempre do outro lado da rua quando ela sai de casa, cumula-a de presentes que ela não quer. Sem conseguir levar uma vida normal, ela pensa em denunciá-lo à polícia, mas esbarra na falta de provas. A única saída parece ser participar de um júri, que a manterá afastada do trabalho por sete semanas — mas nem isso dá certo.

Em conformidade com o título original em inglês, The Book of You, acompanhamos parte da história como se estivéssemos lendo um diário no qual Clarissa relata tudo o que acontece, sempre se dirigindo ao próprio perseguidor (a intenção é manter um registro das situações ameaçadoras, para ser usado como prova). A outra parte é contada por um narrador impessoal, distanciado, contextualizando tudo o que não se refere a Rafe. 

E para quem gostar da história, o segundo livro de Claire Kendal, The Second Sister, acaba de ser lançado, mas por enquanto ainda não tem tradução no Brasil.

Correr com Rinocerontes

Correr com rinocerontes , Cristiano Baldi
Romance do escritor caxiense foi publicado via FinanciarteFoto: Não Editora / Divulgação

O passado é presença constante no romance Correr com Rinocerontes (Não Editora, 288págs., R$ 39,90), de Cristiano Baldi, lançado via Financiarte. A trama, que vai e vem no tempo, é narrada em primeira pessoa pelo protagonista, um jovem que cursa mestrado em São Paulo e que, já no início da trama, precisa voltar com urgência a Porto Alegre, devido a um incidente envolvendo sua mãe (o que só vamos saber bem mais adiante na história). 

Os fatos presentes, embora marcantes, não o são mais do que aqueles do passado, que vão sendo aos poucos desvelados enquanto o retorno à capital gaúcha se transforma num retorno a memórias não muito agradáveis. Desde as primeiras páginas o leitor toma consciência de que algo muito grave aconteceu, embora não fique claro o que é. Ao mesmo tempo, é possível ir construindo uma imagem do protagonista, que não tem uma visão muito abonadora de si próprio — além de relatar as desculpas esfarrapadas que usa para se eximir do contato com a família, ainda afirma que "um bom infortúnio coloca a vida em perspectiva e que às vezes ser um canalha é a única opção". Mais adiante, se diz um "sujeito refratário a qualquer convocação da dignidade". Talvez não o seja, mas, passivo, apenas vai levando a vida para ver no que vai dar.

A história também envolve o avô intelectual, a mãe abnegada, o irmão com problemas mentais e uma antiga colega que despertava os hormônios do narrador (e que estava com ele quando do primeiro ato trágico de sua vida). Há ainda altas doses de sarcasmo e autoironia, que servem para mascarar angústias e traumas profundos.


 

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