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Opinião22/12/2017 | 15h00Atualizada em 22/12/2017 | 15h00

Pedro Guerra: fazendo a limpa

O que fez com que eles estivessem ao meu lado em um ano e simplesmente desaparecessem no ano seguinte?

Pedro Guerra: fazendo a limpa Antonio Giacomin/Especial
Foto: Antonio Giacomin / Especial

Estava olhando as fotos dos meus últimos aniversários e reparei em um detalhe que até então nunca havia chamado a minha atenção. A cada ano, a foto em questão era diferente. Eu sei, isso é óbvio, afinal a gente envelhece e é natural mudar com o tempo. Mas o que eu estou querendo dizer é que, a cada ano, o time de pessoas posando ao meu redor na mesa de parabéns estava diferente.

Pessoas vêm e vão, nada inédito até aí. Mas a descoberta me deixou um pouco assustado, talvez até tenha me feito sentir um pouco de culpa. Por que fulano ou cicrano foram embora? O que fez com que eles estivessem ao meu lado em um ano e simplesmente desaparecessem no ano seguinte?

Fui comprovar a minha teoria. Observei as fotos de aniversário de mais alguns amigos e a descoberta foi a mesma: a gente renova quem nos ladeia constantemente. É claro, sempre existem aquelas pessoas especiais que carregamos com a gente em qualquer ocasião. Porém, ainda mais para os jovens, é como se fosse um ciclo que se renova automaticamente. Quem eu abraçava ontem, hoje mal me cumprimenta quando vejo na rua.

No começo do ano essa reciclagem foi mais expressiva para mim. Algumas pessoas foram embora – exatamente aquelas que eu pensei que iriam permanecer para sempre ao meu lado. Os motivos foram vários, mas tudo meio que pode se resumir a conflito de pensamentos, opiniões. Quando os ideais de vida não são parecidos, ou até mesmo quando acontece alguma situação chata, é hora de refletirmos o papel que cada pessoa ao nosso lado desempenha.

Fiz uma lista com uma amiga. A ideia pode parecer meio grosseira, fria, calculista. Afinal, estamos falando de pessoas. Porém, fica a dica para quem quiser tentar: escreva o nome de todos aqueles que estão ao seu lado, separando-os por círculo de amizades. Depois, marque todas aquelas pessoas que você sabe que poderia contar caso algo ruim acontecesse. Aquelas pessoas que você ligaria se o seu carro quebrasse, ou se você estivesse mal e precisasse desabafar. Quantos sobram?

O choque foi grande para mim. Fato é que nós conhecemos muitas pessoas, mas a maioria nós não sabemos quem são. Eu explico: conhecemos seus nomes, cargos, o básico do básico. Mas podemos chamar de amigos?

Passei a me focar em quem me quer bem. Redirecionei o meu tempo para quem me nutre, para quem me fortalece, para quem acredita em mim e está ali até mesmo as três da manhã. Não há tempo para conveniência, falsos sorrisos, conversas que não acrescentam. Até porque, amizade é o nosso sorriso na boca do outro.

 
 
 

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