Nivaldo Pereira: O sentido da vida - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião01/12/2017 | 15h00Atualizada em 01/12/2017 | 16h04

Nivaldo Pereira: O sentido da vida

Sagitário parte do senso de justiça e do conhecimento adquirido para criar um propósito sábio de vida

Nivaldo Pereira: O sentido da vida /
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Não é à toa Sagitário ser o signo das buscas filosóficas e religiosas, em que precisamos achar uma explicação para o fenômeno da vida e razões para viver. Na etapa anterior, Escorpião, a existência revela sua face mais misteriosa em eventuais contatos com instintos profundos, crises e mortes. Ora, é quase consenso a visão de que as religiões surgem a partir da percepção da finitude do homem. E depois da morte? Quem fez a vida ser desse jeito? Pronto: já estamos no território das especulações metafísicas, construindo crenças e definindo algum provável deus soberano. E queremos ter a proteção dessa força maior. Como se portar perante ela? Que tributos ela exige? Sagitário vai atrás de respostas, criando crenças ou religiões, ao tecer e trançar mitos e ritos.

Esse signo duplo conjuga o homem e o animal. Sem a sabedoria reflexiva do lado humano, a crueza da realidade pode nos fazer regredir ao vale tudo dos instintos. A série The Walking Dead, exibida pelo canal Fox, ilustra bem essa tensão. Num mundo pós-apocalíptico, em que os mortos vagam inconscientes em busca de corpos vivos para devorar, um grupo sobrevivente tenta ser fiel a valores humanos como ética, moral e fraternidade. Matar ali é banal e até condição de existência, mas há que se preservar a ordem civilizatória. Há que se respeitar as leis do bem comum, mesmo no choque com outros grupos fundados em códigos brutais e egoístas.

Sagitário parte do senso de justiça e do conhecimento adquirido para criar um propósito sábio de vida. Um sentido superior, atribuído inclusive às experiências dolorosas, produz a fé e o entusiasmo que lhe são característicos. Se esse sentido brota de crenças centradas num generoso amor, irradiará paz e tolerância. Mas há sempre o perigo da face animal e instintiva do centauro, que mira o poder. E há crenças dogmáticas, que impedem a reflexão e a tolerância. Desse encontro entre poder e dogma, surgem zumbis errantes, cegos de uma luz que não refletem, porque aniquilaram o humano dentro de si. Eis a sombra da fé.

 

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