Natalia Borges Polesso: Nossa saúde coletiva - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião05/12/2017 | 08h00Atualizada em 05/12/2017 | 08h00

Natalia Borges Polesso: Nossa saúde coletiva

Respeitar a expressão individual tem a ver com expressão humana potente e criativa

Natalia Borges Polesso

nbpoless@gmail.com

Dia 25 de novembro foi o dia mundial de conscientização para a eliminação da violência contra a mulher e o marco que conta 16 dias no combate à violência de gênero, o que culmina no dia 1º de dezembro, dia mundial de combate à AIDS. Eu passei na Praça Dante, neste dia e encontrei Cleonice Araújo, do conselho de saúde aqui da cidade, e ela me contou que todos os dias um jovem ou uma jovem se contamina com HIV em Caxias. Esta é a estatística. Além disso, de acordo com um estudo preliminar sobre a prevalência nacional de infecção pelo HPV, 54% dos jovens brasileiros, entre 16 e 25 anos tiveram infecção pelo vírus. Nós, adultos, estamos fazendo algo muito errado. A Cleonice me contou outras coisas também. Coisas bem sérias sobre sua militância política para a saúde, por exemplo, verbas não repassadas. Então eu fiquei pensando numa lista bem objetiva para que a gente possa entender um pouco do assunto:

Os motivos pelos quais precisamos falar sobre sexualidade e gênero (que NÃO são a mesma coisa) na escola JÁ:

Primeiramente, porque ser ignorante não é nada bom. Melhor é saber sobre o que pode nos proteger, saber como podemos cuidar melhor da nossa saúde e viver melhor;

Depois, fazer os jovens entenderem que não estão sozinhos e que podem e devem perguntar sempre que tiverem dúvidas. Aliás, seria maravilhoso se já nos adiantássemos nessa;

Respeitar a vida;

Respeitar o imenso trabalho do comitê de saúde, dos pesquisadores da área da saúde e de todo o profissional que trabalha com saúde;

Saber como se proteger corretamente;

Saber o que são ISTs, o que cada uma delas causa e como tratá-las;

Saber prevenir as ISTs;

Respeitar a sexualidade das pessoas;

Respeitar a expressão individual, que não tem a ver necessariamente com a sexualidade, tem a ver com expressão humana potente e criativa. Pense um pouco, e aqui deixo uma pergunta bem ingênua: homem pode usar saia? Porque não poderia? Nesse aspecto, a mulher foi muito à frente do seu tempo, não acham? Mulher não podia usar calça, mas desde o fim do século 19 usa. E ninguém mais liga.

Enquanto tivermos vereadores que fazem campanha para que as pessoas e, em particular, os jovens, não tenham direito a essas informações e a viver sem medo de se expressar, estaremos colaborando para que eles sigam cada vez mais doentes física, mental e emocionalmente. Vejam os relatórios do UNAIDS e da OMS.

Ideologia de gênero é achar normal a violência contra a mulher, ideologia de gênero é incutir machismo desde cedo nas crianças, ideologia de gênero é não permitir que certas camadas da população tenham informação, para que continuem doentes e ignorantes, ideologia de gênero é culpar a vítima, ideologia de gênero é apoiar esse projeto medonho.

* A escritora publica às terças-feiras.

 

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