Documentário "Sou Ana Mazzotti" relembra obra da jazzista caxiense que morreu em 1988 - Cultura e Tendência - Pioneiro

Versão mobile

 

Cinema19/12/2017 | 08h34Atualizada em 19/12/2017 | 08h43

Documentário "Sou Ana Mazzotti" relembra obra da jazzista caxiense que morreu em 1988

Caxiense radicada em Bento, Ana movimentou o cenário local ao ser uma das primeiras mulheres da região ao liderar uma banda de baile

Documentário "Sou Ana Mazzotti" relembra obra da jazzista caxiense que morreu em 1988 Acervo familiar/Acervo familiar
Caxiense radicada em Bento, musicista foi uma das primeiras mulheres da região a tocar numa banda de baile Foto: Acervo familiar / Acervo familiar

Johnny Boaventura é praticamente uma enciclopédia da música brasileira – principalmente a feita entre os anos de 1960 e 1970 –  compartilhando suas pesquisas por meio do projeto Brazil in Sound. Mesmo com toda essa proximidade com vinis antigos e artistas seminais da MPB, ele desconhecia o trabalho da musicista Ana Mazzotti até 2013. Caxiense radicada em Bento, Ana movimentou o cenário local ao ser uma das primeiras mulheres da região ao liderar uma banda de baile. Depois movimentou o cenário nacional ao entregar, de forma visceral, seu talento de pianista para o jazz autoral. Além de Johnny, Ana conquistou fãs como Chick Corea, Hermeto Pascoal e Cauby Peixoto. Para disseminar a obra da pianista – que morreu precocemente aos 37 anos, em 1988, em função de um câncer –, Johnny resolveu levá-la para o cinema. O documentário Sou Ana Mazzotti, custeado via Financiarte, terá lançamento duplo em Caxias: hoje na Paralela, amanhã na Sala de Cinema Ulysses Geremia.

– A gente por aqui cresce ouvindo Elis Regina, tendo acesso aos discos dela, ouvindo as pessoas falarem felizes dela por ser gaúcha, cantora de música brasileira, de bossa. A história e o trabalho de Ana Mazzotti seguem obscuros aqui na serra gaúcha – escreveu Johnny, no Facebook.

A obra de 37 minutos foca atenções principalmente no legado artístico de Ana Mazzotti, sem se estender muito na vida pessoal da artista. Para isso, os diretores Johnny Boaventura e Breno Dallas resolveram ousar na linguagem estética, manipulando digitalmente algumas das imagens de arquivos que mostram a pianista em ação. Até mesmo o rico acervo de fotografias – cedido pelo filho de Ana, Toni Mazotti – ganhou intervenções digitais na telona.

– O filme assume uma narrativa que se encaixa numa videoarte. Até mesmo algumas imagens de hoje foram manipuladas para parecerem uma Super 8, usamos bastante defeitos visuais – comenta Breno.

O filme traz ainda inserções de animações, assinadas por Leonardo Frizzo de Lucena, e depoimentos importantes de amigos e fãs de Ana Mazzotti. Participaram do filme nomes como Lucinha Mazzotti, irmã de Ana; Ademir Antônio Bacca, jornalista e escritor que acompanhou a ascensão da artista em Bento Gonçalves; Assunta De Paris, historiadora do Arquivo Histórico de Bento; Claudio Troian, produtor cultural e amigo pessoal de Ana; e Hermeto Pascoal, considerado um dos mais importantes compositores brasileiros ainda em atividade. 

A linha histórica do filme é conduzida pelo próprio Johnny Boaventura e por Gabriela Jardim, que também estiveram juntos na pesquisa que antecedeu as filmagens. A dupla aparece em cena dando uma cara mais contemporânea ao documentário, numa tentativa também de traduzir a importância artística de Ana Mazzotti até mesmo para a geração do YouTube.

– Em cena, os dois têm uma estética meio de youtuber mesmo, buscamos fazer algo contemporâneo e divertido – aponta Breno sobre a artista que deixou um legado entre o jazz, a bossa nova, o samba e o soul registrados em dois LPs.

Também haverá estreia de ficção

Além do documentário Sou Ana Mazzotti, a noite de hoje e de amanhã também terá estreia do curta de ficção O Homem que Via Música em Tudo, dirigido por Douglas Bolzan. A produção foi igualmente custeada pelo Financiarte e acompanha um protagonista surdo (Andrei Borges), que imagina  música em cenas simples de seu cotidiano. A trilha sonora foi criada por Beto Scopel, músico do premiado CCOMA.

– Esse cara tem divagações musicais como um contraponto a uma vida quadrada. É como se fosse uma história comum e padrão intercalada por clipes. São fixações do personagem sobre o que pode ser a música – descreve Breno Dallas, que assina a direção de fotografia do filme de 18 minutos.   

PROGRAME-SE

O que: estreia do documentário Sou Ana Mazzotti e da ficção O Homem que Via Música em Tudo.

Quando: hoje, às 20h30min; e amanhã, às 19h.

Onde: hoje, na Paralela (Rua Tronca, 3483); e amanhã, na Sala de Cinema Ulysses Geremia (Rua Luiz Antunes, 312).

Quanto: entrada franca em ambas sessões.

Outro

Em 2012, o documentário Eu Sou Mais Eu, dirigido pelo bento-gonçalvense José Martim Estefanon, também lembrou a trajetória de Ana Mazzotti.  


 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros