Ciro Fabres: O que se diz - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião07/12/2017 | 14h49Atualizada em 07/12/2017 | 14h49

Ciro Fabres: O que se diz

Como pode, às vésperas de 2018? Mas pode. O que temos feito para construir um outro mundo?

É uma época escorregadia do ano este momento pré-natalino. Começam a pipocar mensagens de todo lado. O que se diz é o habitual. Desejos de toda ordem, votos disso e daquilo, fala-se muito em família, em paz, saúde e felicidade. Pois é. Será preciso muito cuidado com o que se diz. Pois o que está sendo dito é o seguinte, em uma rápida relação. 

O que disse aquela "socialaite" (assim mesmo!) acerca da filha de Giovana Ewbank e Bruno Gagliasso não vale a pena repetir, mas será fundamental registrar e responsabilizar. É um desprezo completo ao ser humano. Como pode, às vésperas de 2018? Mas pode, como se vê. O que temos feito para construir um outro ambiente, um outro mundo?

Caxias teve uma recaída há poucos dias. Uma recaída típica, ao seu feitio. Um morador se atracou com um senegalês na Visconde de Pelotas. Se houve ou não discriminação, isso entrou para a esfera do "diz que disse". Vai ficar no plano das versões. Não será possível precisar. No mínimo, porém, houve má vontade explícita, inaptidão para a melhor convivência, desinteresse em tratar bem quem veio para cá, para Caxias, atrás de melhores oportunidades. Entre nós, já teve vereador, representante de parte da sociedade, que discursou na Câmara, dirigindo-se aos imigrantes: "Voltem para o lugar de onde vieram." Mais didático, mais sintomático do que isso, impossível. Aos imigrantes, não cabem ressalvas. São pessoas, e estão aqui. Por que, não interessa. As consequências, é preciso administrar, garantidos a dignidade e o respeito a eles. Ponto. Agora é tratá-los com a dignidade que merecem, pessoas que são. E depois, muitos ainda cantam John Lennon, "imagine there’s no countries".

É obrigatório o comprometimento com o que se diz. Se disse em campanha que segurança, saúde e educação seriam prioridades. Educação foi incluída na lista, como é de praxe. Educação é prioridade sempre, nos discursos. Então, meses depois, se propõe reduzir o salário das educadoras infantis por causa de uma lei, porque tem de ajustar a remuneração ao mercado. Ajustar para baixo, portanto. Discurso e prática. Educação não era prioridade? Educação só será prioridade – só, e somente só – quando os professores forem bem remunerados. Fora disso, não tem salvação. É só discurso.

De resto, muito do que se tem dito ultimamente vem embalado com a agressividade tradicional das redes sociais, incorporada a esses tempos ditos modernos, de muita interatividade e desrespeito aos outros.

Isso é um pouco do que tem sido dito. Muita atenção com o que se diz. O "como se diz" também é importante. Recomenda-se atenção, portanto, ao que se diz, ao como se diz. E ao que se faz.


 

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