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Na porta de saída09/11/2017 | 21h48Atualizada em 10/11/2017 | 06h51

Secretária da Cultura de Caxias entrega carta de demissão a Daniel Guerra

Adriana Antunes assumiu em janeiro com o desafio de gerir a pasta com orçamento reduzido

Secretária da Cultura de Caxias entrega carta de demissão a Daniel Guerra Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

A secretária da Cultura de Caxias do Sul, Adriana Antunes, entregou a carta de demissão ao prefeito Daniel Guerra (PRB) nesta quinta-feira (9). Assim, ela encerra uma relação que foi enfraquecendo ao longo dos últimos 313 dias de governo. As últimas polêmicas envolvendo a área cultural em Caxias foram a do bailarino da Cia. Municipal de Dança, detido durante uma performance, a ocupação da Maesa e o fechamento do Memorial Zambelli.

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Em dezembro de 2016, Adriana foi uma das escolhidas pelo prefeito Daniel Guerra para comandar a transição do governo e assumiu a secretaria em janeiro deste ano. Já na primeira entrevista ao Pioneiro, explicou que o principal desafio seria a questão financeira. 

— Vai ser um ano bem difícil para todo mundo, não só para a secretaria ou o governo que está entrando. Teremos que buscar, de forma criativa, lógica e racional, como vamos conseguir administrar algumas das situações que a gente tem, que acontecem, que a secretaria trabalha junto e terá que discutir junto. O orçamento gira em torno de R$ 18 milhões, dividido entre folha de pagamento, gastos fixos e projetos — disse, na matéria publicada no dia 2 de janeiro.

Já o prefeito Guerra, durante uma entrevista no segundo turno da campanha, publicada há pouco mais de um ano, em 27 de outubro de 2016, garantiu que existiam recursos disponíveis para a área:

— Caxias do Sul, nitidamente, tem recursos. Ela só é mal gerida, mal administrada. A cultura vai ter um corte de 60%, 50% nos CCs. Investimentos na cultura nós só vamos cortar naquilo que não é de fato cultura. Vamos realocar esses recursos para produzir, de fato, cultura. Também tem que ir buscar recursos no Ministério da Cultura por meio de bons projetos.

Ao longo do ano, o governo anunciou não apenas cortes de CCs, mas também de verbas para eventos culturais da cidade, como o fim do patrocínio ao Carnaval, ao 20º Rodeio Internacional Campo dos Bugres e à Festa da Uva. O próprio edital do Financiarte 2017 foi lançado com quase quatro meses de atraso em relação ao ano passado, teve 184 projetos inscritos, e ainda não divulgou os contemplados, nem a verba disponível — o teto por projeto contemplado é R$ 35 mil. Adriana havia dito que a verba seria conhecida em outubro, porque dependia da arrecadação do município. 

A expectativa era de que a verba ficasse cerca de 50% abaixo dos R$ 2 milhões destinados no ano passado. No início do ano, no entanto, a expectativa, quando foi aprovada a Lei de Diretrizes Orçamentárias do Município (LDO), era destinar R$ 2,4 milhões ao Financiarte. O Prêmio Anual de Incentivo à Montagem Teatral foi cancelado — o ofício foi encaminhado ao Conselho Municipal de Cultura nesta semana.

Nos bastidores, são apontadas duas possibilidades: que a diretora da SMC, Jocélia Brezolin Kich, assuma a pasta ou que ela seja fundida com outra área, como o Turismo. Há quem diga que era justamente Adriana que segurava a existência da secretaria.

A reportagem tentou contato com Adriana, com o coordenador de Comunicação, Guilherme Fadanelli, com o chefe de Gabinete, Júlio César Freitas da Rosa, e com o secretário de Governo, Luiz Caetano, e nenhum deles atendeu, nem retornou às ligações.

 

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