Nivaldo Pereira: Viagens do centauro - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião24/11/2017 | 15h00Atualizada em 01/12/2017 | 14h42

Nivaldo Pereira: Viagens do centauro

Viajar é preciso no signo representado pelo arqueiro centauro, com seu corpo híbrido de homem e cavalo

Nivaldo Pereira: Viagens do centauro /
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

O arqueiro retesa o arco, mira o alvo e dispara a flecha, que voa certeira pelo ar. Na placa de trânsito, uma flecha indica o rumo único permitido ao fluxo veloz dos automóveis. Flechas se movem ou disciplinam movimentos. Traçam rumos e destinos, convidam a ir além. Não poderia haver símbolo melhor para o signo de Sagitário, por onde agora o Sol transita. Feito arco, o fogo sagitariano impulsiona a alma para fora, em busca de tradução. Quantos horizontes se descortinando lá longe, tão convidativos! Flechas invisíveis parecem dizer: vem ver o que há, vem crescer, vem ser feliz, vem viver.

Viajar é preciso no signo representado pelo arqueiro centauro, com seu corpo híbrido de homem e cavalo. Viajar, aqui, significa também ampliar a própria visão interior: perguntando, ouvindo, estudando, aprendendo e ensinando, numa disposição de obra em progresso, querendo ir adiante, querendo mais saber, avante e sem fim. Evocando o poeta Fernando Pessoa, somos do tamanho do que vemos e não do tamanho de nossa altura. Nossas crenças definem o alcance de nossa visão – a extensão de nossas flechas no mundo. Não mudar nem relativizar as próprias certezas é como prender nosso fogoso cavalo num curral. Dogmas são currais para a alma.

E há as viagens literais, sempre tão ricas de possibilidades de revelação. Não vivo sem elas, graças aos céus, que enfatizaram Sagitário em meu mapa de nascimento. Na bagagem simbólica, sempre trago riquezas sutis. Como valorar o que eu vivi numa jornada de navio às geleiras chilenas? Algo se iluminou em mim numa certa noite em Lisboa, e naquele museu em Amsterdã, e num pub com uma nova amiga em Bruxelas. Tantas histórias, tanto aprendizado. Meu cavalo dança de alegria, a mente se alarga, meu mundo também.

O poeta Pessoa traduziu bem a essência do viajar: "As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos". Viajar é se refletir no mundo, é criar o que podemos ser. Por isso, notícias de muros e de crenças fundamentalistas doem tanto nas almas que não cabem em si.

 

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