Nivaldo Pereira: Sanatório geral - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião10/11/2017 | 14h01Atualizada em 10/11/2017 | 14h01

Nivaldo Pereira: Sanatório geral

O sanatório geral se instala em todos os níveis, da política às redes sociais

Nivaldo Pereira: Sanatório geral Charles Segat/Ilustração
Foto: Charles Segat / Ilustração
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Planeta das brumas, Netuno segue seu trânsito por Peixes, enquanto a insanidade vira regra no Brasil. É um ciclo mundial o efeito dissolvente das fronteiras entre razão e emoção, entre fato e distorção e entre realidade e representação (leia-se arte). Mas, no Brasil, cujo Sol em Virgem (7 de setembro de 1822) recebe agora a oposição de Netuno, instaura-se um perigoso caos, em que o real se torna absurdo. Deu a louca no país!

O sanatório geral se instala em todos os níveis, da política às redes sociais. Em meio a hordas apáticas e cansadas ou cegas por visões subjetivas e fanáticas, percebemos as piores manifestações de Netuno: hipocrisias instituídas, delírios messiânicos, utopias revividas e apostas em perigosos "salvadores". E mantenha-se lúcido quem puder: esse trânsito só perde força a partir de 2019!

Criado sob uma conjunção do Sol com Netuno (em 4 de fevereiro de 2004), o Facebook se tornou o canal máximo de expressão desse sanatório nacional. A tal legião de imbecis que, segundo Umberto Eco, ganhou voz nas redes sociais, ali destila livremente miséria intelectual, ódios e preconceitos. Esse perigoso conteúdo recebe as curtidas de irritados e desiludidos cidadãos de bem, e pronto: um tsunami de fúria insana se arma. E a propagada imagem do brasileiro gentil revela sua face terrível.

É o efeito Netuno, derretendo fachadas e máscaras. O mítico deus dos mares era pai de crias medonhas e ocultava uma fúria selvagem em suas águas profundas. Há que se ter cuidado com as ondas netunianas. Cuidado com o que se publica, com o que se curte, com o que se divulga. Não alimentemos os monstros, por favor!

Nessa longa temporada de realismo fantástico e cortinas de fumaça pela frente, nos cabe ficar atentos para enxergar o foco do que se apresenta sob tantas distorções. Enquanto se discute os limites da arte, as farmácias proliferam, na vida real, dando conta do grave adoecimento de nosso modelo de vida. A violência cresce, a corrupção vira lei. Mas disso ninguém quer falar.

Ó, Netuno, tenha dó...

 

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