Nivaldo Pereira: Inferno astral - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião03/11/2017 | 15h00Atualizada em 03/11/2017 | 15h00

Nivaldo Pereira: Inferno astral

O ciclo anual do zodíaco, que se inicia em Áries e se encerra em Peixes, prevê padrões de energia a cada etapa

Nivaldo Pereira: Inferno astral Charles Segat/Ilustração
Foto: Charles Segat / Ilustração
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Aproveito a energia realista do Sol em Escorpião para clarear uma crença simplista muito divulgada pela astrologia popular. Trata-se do tal inferno astral, o mês anterior à data de aniversário. Muita gente já se prepara para enfrentar azares e infortúnios no período. O menor incômodo é logo atribuído ao inferno astral, como se fosse uma lei cósmica a purgação antes de uma nova fase. Essa crença, bastante popular no Brasil, é praticamente desconhecida em outros países, o que fala mais do brasileiro e seus misticismos e menos da verdadeira astrologia.

Apesar de distorcida, a crença do inferno astral não surge do nada. O ciclo anual do zodíaco, que se inicia em Áries e se encerra em Peixes, prevê padrões de energia a cada etapa. Se Áries começa tudo, reportando a novos ciclos, como o do nosso aniversário – nosso ano novo! –, Peixes, o signo anterior, fala de um devido recolhimento, de entregas e aceitações antes do novo começo. É quando avaliamos o ciclo que termina e projetamos desejos para o que se iniciará. Até aqui, não há nada que indique que essa fase de gestação tenha que ser infernal!

Vivemos algo parecido em nosso calendário oficial, quando brindamos a coisas novas na entrada do ano, em janeiro, e fazemos de dezembro a etapa de inventários sobre o que realizamos ou não no ano e sobre o que precisamos. Se dezembro vai ser pesado ou depressivo, dependerá de como lidamos com nossas cobranças e frustrações. Do mesmo modo, o mês anterior ao nosso aniversário convida a avaliações. Se lidamos bem com os nossos quereres, aceitando os limites, não há motivos para baixo astral. Uma meta não realizada pode ser renovada ou ajustada. Segue o baile, segue a vida.

O problema é quando responsabilidades não assumidas viram culpas. Quando frustrações viram antenas para sabotagens. Quando o próximo aniversário sugere mais um ano nas costas (ai, ai, o envelhecer...) e não um novo ciclo de oportunidades. Aí cada um constrói seu próprio inferno. Aprender a perdoar, a si e aos outros, é um bom antídoto.

 

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