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Opinião27/11/2017 | 08h31Atualizada em 27/11/2017 | 08h31

Marcos Kirst: o médico e o monstro

A Ciência não passa de uma ferramenta desprovida de intenções, objetivos e metas

A Ciência, assim como qualquer outra arte ou habilidade humana, pode servir tanto ao Bem quanto ao Mal. Tudo depende do uso que se faz dela, por parte de quem a manuseia, manipula, coordena. Ela, em si, não tem lado definido, pois não passa de uma ferramenta desprovida de intenções, de objetivos, de metas. Quem as tem são os homens, que fazem dela bom ou mau uso. Em fazendo bom uso, entram para a História como heróis, recebendo aplausos e condecorações. Em optando pelo mau uso, ingressam na História na condição de vilões, merecedores de vaias e execrações. Vejamos, a seguir, dois exemplos, um de cada, a título de ilustração desta já tradicional reflexão de segunda.

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Comecemos pelo bom exemplo, de cientista que utilizou seus conhecimentos, talento e esforços para auxiliar a humanidade a dar um passo além, rumo à evolução. Era engenheiro de profissão, nasceu em 1912 e morreu em 1977, mas deixou uma biografia extensa de contribuições importantes e transformadoras. Trabalhando nos Estados Unidos no final da década de 1940 e nas décadas de 1950 e 1960, forneceu uma contribuição fundamental ao desenvolvimento da tecnologia aeroespacial que resultou na conquista da Lua pelo homem. Só foi possível construir foguetes tripulados que levassem até a Lua e trouxessem de volta os astronautas com segurança devido ao empenho e à inventividade desse grande cientista e sua equipe de trabalho.

Por outro lado, um cientista também engenheiro de profissão utilizou, décadas antes, todo o seu talento inventivo para a construção de armas malignas que tinham a intenção de servir aos interesses de um dos maiores vilões da História Universal, Adolf Hitler. Esse cientista foi crucial para a criação e desenvolvimento das primeiras armas de destruição em massa e teleguiadas da História. Para criar as condições que permitissem o desenvolvimento de seus projetos, esse cientista coordenou campos de trabalho escravo secretos na Alemanha, utilizando mão-de-obra advinda de prisioneiros de guerra, em condições insalubres, desumanas e assassinas. Era comum a contagem diária de mortos devido à exaustão física, aos maus tratos, à fome e às doenças nas áreas de trabalho desse cientista do mal durante a Segunda Guerra Mundial. Ele nasceu em 1912 e morreu em 1977.

Esses dois personagens eram a mesma pessoa: Wernher Von Braun, que, finda a guerra, foi capturado e levado aos EUA para auxiliar na corrida espacial que colocou o homem na Lua em 1969. Mocinho ou bandido? Vilão ou herói? Tudo isso, nada disso, ou apenas um ser humano igual a você e eu?


 

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