Frei Jaime: O cotidiano das emoções  - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião28/11/2017 | 08h00Atualizada em 29/11/2017 | 08h27

Frei Jaime: O cotidiano das emoções 

Alguns são mais contidos: escondem as lágrimas, disfarçam as decepções, apresentam-se como portadores de uma fortaleza interior.

Frei Jaime Bettega
Frei Jaime Bettega

jaime@ofmcaprs.org.br

São diversas as situações que envolvem o cotidiano. Sem dúvida, a grade parte dos dias são de normalidade e também de muitas alegrias. Pequenos gestos e simples palavras são suficientes para alcançar ao coração uma certa sensação de serenidade, de paz na alma. Porém, alguns fatos e também inusitadas atitudes praticamente roubam o ânimo e a vontade de continuar. 

"Não chora não, na maioria das vezes a vida tá  te fazendo um favor." (Hierophant)

Alguns são mais contidos: escondem as lágrimas, disfarçam as decepções, apresentam-se como portadores de uma fortaleza interior. São quase heróis e heroínas, porém impedidos de manifestar sentimentos. Mas a vida não poupa ninguém: as lágrimas acabam brotando espontaneamente. Nem sempre tais gotas, que vertem insistentemente dos olhos, umedecendo o semblante, são expressão de tristeza. 

O ato de chorar pode conter muitos significados. Algumas lágrimas são capazes de lubrificar o globo ocular e permitir um olhar mais límpido. Passar por tribulações tem se tornado quase uma rotina. Certos sofrimentos são doloridos, mas não deixam a pessoa permanecer a mesma, pois são incrivelmente transformadores. Tem lágrimas que regam a existência tornando a esperança muito mais viçosa. Alguns fatos que, num primeiro momento, são lidos e relidos como verdadeiras tragédias, podem favorecer um outro jeito de viver. 

A maturidade parece se tornar mais plena, depois de algumas ou muitas lágrimas. De fato, certas dores prestam verdadeiros favores para que a felicidade tenha consistência e, também, maior abrangência. 

Ninguém deve ir em busca do sofrimento, mas todos deveriam saber o que fazer com determinadas dores que torcem e retorcem a afetividade. Mas como tudo passa, nenhuma tristeza é para sempre. Ainda bem que há novos dias para tornar e plena a existência. 


 

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