Ciro Fabres: Novembro da diversidade  - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião22/11/2017 | 14h45Atualizada em 22/11/2017 | 14h45

Ciro Fabres: Novembro da diversidade 

Que maravilha esse retrato da vitalidade cultural. Porém, ainda há sérios percalços na convivência

Primeiro, foi a comunidade LGBT que foi à Praça Dante, na parada livre de 10 dias atrás. No fim de semana seguinte, teve a Marcha para Jesus, que reuniu milhares de evangélicos em caminhada no Centro. Na segunda agora, à noitinha, teve apresentação cultural de um grupo de maracatu para assinalar o Dia da Consciência Negra. No interior de Caxias, milhares acorreram ao tradicional Rodeio de Vila Oliva dias atrás. E neste final de semana, teve o Enart, em Santa Cruz do Sul, megaevento tradicionalista que reúne gaúchos "de todas as querências". Aliás, "querência", que palavra iluminada, que bela contribuição regional ao dicionário português, derivada de um neologismo nosso do gauchês. O Enart, por suas encenações e alegorias para apresentações de dança gaúcha, está se tornando algo que de alguma forma, ainda que vagamente, se relaciona com a versão tradicionalista da performance de escolas de samba. No maracatu de segunda-feira, na Dante, um batuqueiro do Recife desferiu: "Estou cansado de ouvir que branco não sabe batucar. Batuque não tem cor e sexo, o que importa é ser a resistência e defender a cultura negra". Dias atrás, os senegaleses que vivem em Caxias realizaram a celebração típica deles, a Grande Festa de Touba, com vestimentas, culinária, cânticos e manifestações típicas.

Tudo isso é muito bom. É o novembro da diversidade – cultural e de identidades. São importantes as identidades. A humanidade é maior, certamente, o que nos é lembrado agora nesse debate em que se envolveu a jornalista Glória Maria, da Globo. Ela publicou em uma rede social sua, e foi criticada por isso, uma citação do extraordinário ator negro Morgan Freeman: "O dia em que pararmos de nos preocupar com consciência negra, amarela ou branca e nos preocuparmos com consciência humana, o racismo desaparece." É sua maneira de tratar do racismo. É um parâmetro necessário, uma referência obrigatória de onde devemos chegar. As humanidades são universais, estão em todas as identidades, devem unir e falar mais alto, ao final. Apenas que as identidades e comunidades têm seus problemas específicos e, para superá-los a partir da mobilização própria, são importantes e essenciais.

Mas que maravilha esse retrato da vitalidade cultural presente entre nós, particularmente agora neste início de novembro. No entanto, ainda é preciso avançar muito mais, pois há sérios percalços na convivência. Como se fosse preciso lembrar, é necessário respeito a cada uma dessas expressões. E que ninguém se assuma dono da verdade, excluindo, dessa forma, outras vivências e compreensões da realidade. Ainda há um bom caminho a percorrer.

Mas a diversidade está aí, e isso é a celebração da vida.


 

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