Brincar é uma arte e um ofício para o mestre em cultura popular brasileira Tião Carvalho, que esteve em Caxias do Sul em outubro - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Cultura popular03/11/2017 | 17h32Atualizada em 03/11/2017 | 17h32

Brincar é uma arte e um ofício para o mestre em cultura popular brasileira Tião Carvalho, que esteve em Caxias do Sul em outubro

Artista maranhense ministrou a oficina "Brincadeiras de Tradições Brasileiras" no Campus 8 da UCS

Brincar é uma arte e um ofício para o mestre em cultura popular brasileira Tião Carvalho, que esteve em Caxias do Sul em outubro Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Oficina Brincadeiras de Tradições Brasileiras foi ministrada para grupo de jovens artistas e educadores, no Campus 8, em Caxias Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Brincadeira, para o maranhense Tião Carvalho, é coisa séria. Não por outra razão, o músico, compositor, ator e dançarino dedica metade de seus 62 anos à pesquisa e à propagação de danças e brincadeiras populares de diferentes tradições brasileiras. Não se resume a Ciranda, Cirandinha ou Atirei o Pau No Gato, mas sim um cavoucar profundo em culturas como a dos quilombolas e das tribos indígenas para trazer às novas gerações as raízes da brincadeira em grupo, com a intenção primordial de estimular entre as crianças o crescimento em meio a maior diversidade cultural.

Na recente passagem em Caxias do Sul, em outubro, Tião ministrou sua oficina Brincadeiras de Tradições Brasileiras para um grupo de jovens artistas e educadores de arte no Campus 8 da UCS. Ao cavaquinho ou na percussão, apresentou gostosas cantigas de rodas do folclore brasileiro, como Roda Pião e Olaria do Povo; danças cantadas de pergunta e resposta como Dona Mariana e Cofo de Milho, entre outras, todas estimulando o improviso na imitação de objetos, animais ou situações cotidianas. Na dança do Capelem, por exemplo, canta-se a história de um casal de bichos que ficou de fora da Arca de Noé, e que por isso não se sabe muito bem como eles são. Cabe então a quem está no centro da roda inventar a sua versão do movimento dos tais capelens.

– Eu acredito pouco nos games modernos, que têm uma dose de violência muito grande, e acho que não ajudam nada em nível de educação e de formação. Toda a pesquisa e a distribuição destas brincadeiras nas escolas e nas comunidades são para construir um Brasil mais alegre e mais brasileiro. Cada brincadeira dessas contribui para a formação, acreditando que o cidadão que cresce brincando é super importante para a sua formação cultural, social, psicológica, de caráter – avalia o pesquisador. 

O trabalho que o artista radicado em São Paulo desenvolve há mais de 30 anos junto ao grupo Cupuaçu - Centro de Estudos de Danças Populares Brasileiras inspirou gravação de CDs, realização de oficinas e a formação de diversos grupos semelhantes pelo país, como o Saia Rodada (Campinas), Retalhos de Cultura Popular (Londrina), Flor de Babaçu (Brasília) e Encaixa Couro (Belo Horizonte). Cada um surge como um centro de resistência à pasteurização da cultura e ao individualismo da formação dos jovens.

– A batalha da gente é para cada vez mais pesquisar em fontes diferentes para distribuir este conteúdo às nossas crianças e fortalecer essa ideia do brincar, chegando até elas com sutileza e suavidade – acrescenta o mestre Tião, como é chamado. 


 

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