Nivaldo Pereira: Escorpião e a biosfera - Cultura e Tendência - Pioneiro

Versão mobile

Opinião27/10/2017 | 15h00Atualizada em 27/10/2017 | 15h00

Nivaldo Pereira: Escorpião e a biosfera

Acabou-se a ilusão de que podemos seguir extraindo da Terra o que a nossa sociedade consumista prescreve

Nivaldo Pereira: Escorpião e a biosfera Charles Segat/Ilustração
Foto: Charles Segat / Ilustração
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Sob a luz do Sol em Escorpião, é preciso olhar mais fundo a vida. Tão fundo que se veja seu fim inexorável, e, a partir desse choque, se redefina o que é viver, com mais verdade e propósito. Quantas vidas somente ganharam sentido depois de uma perda, alguma crise séria, algum desafio extremo? Escorpião quer mostrar a essência por trás da matéria encarnada por seu oposto complementar, Touro.

Ok, perder dói, separar é complicado, morrer, então, sempre foi tabu. Mas sem essa lei da vida, não há renovação nem regeneração – e não há cura! Estar atento aos sinais de desapego, para uma necessária regeneração, pode evitar confrontos mais sérios entre o fluxo da vida e nossos desejos. Mas, e quando a gente vive num sistema que prega a propriedade individual como critério de sucesso? E quando ser é ter?

Escorpião rege os recursos compartilhados por todos, a chamada biosfera. Seu astro regente, Plutão, senhor dos mortos na mitologia, é um cobrador implacável do que ameaça a vida. O último trânsito de Plutão por Escorpião, de 1983 a 1995, tanto trouxe a Aids, como doença ligada ao sexo, quanto revelou a necessidade urgente de repensar a relação do homem com o meio ambiente. Em 1992, líderes do mundo todo se reuniram no Rio para acertar medidas sobre isso, na Conferência Eco-92.

Acabou-se a ilusão de que podemos seguir extraindo da Terra o que a nossa sociedade consumista prescreve. Pior: urge resolver o destino dado ao que eliminamos, os tais dejetos e poluições. Sem corrigir nossa arrogante fúria extrativista e consumista, o que é de todos, a Terra, pode se insurgir em fúria regeneradora.

O cientista James Lovelock é um defensor da teoria que vê nosso planeta assim, como um ser vivo capaz de promover ajustes ao que o ameaça. Lovelock chamou de Gaia esse nosso “planeta vivo”, nome grego da primeira deusa, mãe de tudo. Gaia estaria gravemente doente pelo mau uso que fizemos dela desde a Revolução Industrial. Lovelock é combatido por meter o dedo nessa ferida do capitalismo. Ele tem o signo ascendente em Escorpião...

 

Veja também

Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros