Banda caxiense Hava comemora 20 anos de uma trajetória voltada para o rock em louvor a Deus - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Música27/10/2017 | 15h03Atualizada em 27/10/2017 | 15h06

Banda caxiense Hava comemora 20 anos de uma trajetória voltada para o rock em louvor a Deus

Fundada pelos gêmeos Jean e Junior Emer, banda promove neste fim de semana a 2ª edição do Hava Fest

Banda caxiense Hava comemora 20 anos de uma trajetória voltada para o rock em louvor a Deus Porthus Junior/Agencia RBS
Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Os gêmeos Jean e Junior Emer eram jovens rebeldes e brigões naqueles meados dos anos 1990. Chegaram a parar na delegacia, certa vez, após a polícia interferir no que seria um confronto entre a turma da Escola Clemente Pinto e a da Escola Maria Luiza Rosa, ambas no bairro São Leopoldo, em Caxias do Sul. Alunos da Clemente, os irmãos haviam confeccionados soqueiras para provocar um estrago maior nos rostos dos rivais. Aos 15 anos, aquela foi a gota d’água num modo de vida que, duas décadas depois, eles confessam não saber aonde iria levá-los. A salvação veio no primeiro encontro  dos irmãos com a fé católica e no reencontro com a antiga paixão pelo rock’n’roll, que resultou na banda que neste fim de semana irá comemorar 20 anos de história: a Hava.   

– Éramos adolescentes que gostavam de ir pras festas para beber e voltar carregado, arrumar briga. Quando as coisas estavam ficando muito feias, foi nossa mãe quem nos convenceu a conhecer o grupo de jovens da Catedral. Claro que era uma negociação. Em troca a gente ganhava um aparelho de som novo, coisas assim – recorda Jean, 39 anos, vocalista da Hava.

Fãs de Metallica, Iron Maiden e Sepultura, Jean e Junior achavam que a conversão representaria uma pá de terra sobre as aspirações de terem a própria banda, mas foram surpreendidos ao participar de um encontro da comunidade católica Canção Nova, em São Paulo, e descobrir naquele ambiente algumas bandas de rock como a Rosa de Saron e a CristoAtividade, que faziam rock com letras católicas.

– A gente ouviu aquilo e pensou: “como assim?! Quer dizer que pode fazer rock na igreja?!” Descobrimos que não só era possível, como o próprio papa João Paulo II havia permitido utilizar o rock como forma de evangelização, por ser uma linguagem que agrada a juventude – comenta Junior. 

Bastou retornar ao Sul para iniciar a gestação da Hava (“vida” em hebraico), primeiro com algumas apresentações em escolas, a convite de professoras que frequentavam o grupo de jovens, e, alguns meses depois, com os primeiros chamados para tocar em encontros de jovens católicos. Criar músicas e escrever as próprias letras foi uma forma de tentar compartilhar o quão transformador foi estreitar os laços com Jesus.

Banda católica caxiense Hava comemora 20 anos
Foto: Acervo pessoal / Divulgação

– Nós saímos de uma sensação de vazio muito grande ao preenchimento que a religião nos deu. É uma experiência muito pessoal, mas conosco foi o que aconteceu. Ao mesmo tempo, sabíamos que se quiséssemos levar a palavra de Deus aos nossos amigos dos tempos de rebeldia, não seria com a Bíblia embaixo do braço. O rock foi a forma que encontramos – conta Junior. 

Preconceito maior no Sul

Além dos gêmeos, a Hava conta com o guitarrista Carlos Eduardo Mascarello, 30, o baixista Augusto Dosso, 24, e o tecladista Robson Pereira, 25. Todos se conheceram pela afinidade católica. Dois equívocos fáceis de cometer são quanto à sonoridade da banda e o modo de vida dos devotos. Com riffs pesados, o som está mais para o hard rock do que para o pop rock. Por vezes, chega a lembrar o new metal da californiana P.O.D, talvez a mais conhecida banda de rock cristã. Também erra quem acredita que o rock católico coíbe o consumo de álcool, o uso de palavrões ou até do tradicional sinal com os dedos indicador e mínimo erguidos, clássica expressão metaleira. 

– Quando a gente faz um churrasco, por exemplo, também toma uma cerveja. Se for com equilíbrio, não é pecado. Somos contra o vício e a dependência que escraviza – destaca o vocalista.

Carlos Eduardo, o guitarrista, complementa com ironia:

– Não é porque me converti que não posso mais beber. Jesus Cristo não transformou água em vinho?

Nestes 20 anos, a banda também já sofreu com o preconceito, seja de roqueiros ou de membros da igreja. Acostumados a tocar em diversos Estados, consideram a região Sul a mais conservadora.

– Foi no Sul que tivemos os maiores problemas, principalmente no começo. Já nos atiraram pedras, já soltaram rojão ao lado do palco. Mas hoje em dia, até por sermos mais conhecidos, nos respeitam mais – diz Junior. 

Com quatro CDs (Pare Pra Pensar, 2003, Para o Mundo Ouvir, 2005, Marcas Eternas, 2012, e Acústico 20 anos, 2017), um DVD (Marcas Eternas, 2012) e o recente livro Hava 20 Anos, de Jean Emer, a banda pode ser considerada a mais conhecida empreitada de rock católico no Estado. Para comemorar as duas décadas, promovem neste sábado a 2ª Hava Fest, festival que contemplará outros ritmos, também com temas católicos. 

SERVIÇO

O quê: Hava Fest, com atrações como a Eterna Aliança, Maninho e lançamento do álbum Hava Acústico 20 anos

Quando: Sábado, a partir das 14h

Onde: Ginásio do Seminário Nossa Senhora Aparecida, em Caxias do Sul

Quanto: R$ 20



 

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