Tríssia Ordovás Sartori: Sem atalhos - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião08/09/2017 | 20h11Atualizada em 08/09/2017 | 20h11

Tríssia Ordovás Sartori: Sem atalhos

Quantas vezes precisamos nos deixar levar a lugares que sequer parecem fazer sentido para, tempos depois, percebermos que o trajeto era necessário?  

Tríssia Ordovás Sartori
Tríssia Ordovás Sartori

trissia.ordovas@pioneiro.com

Quem aí prefere fazer um caminho bem mais longo só para evitar o engarrafamento na hora do rush? Sou dessas. Embora goste de usar atalhos (conheço vários) não me importo em andar quilômetros a mais apenas para não ficar parada. A pressa é uma constante nos nossos dias.

O interessante é que, por mais óbvia que seja essa escolha para os eventos práticos do dia a dia – tipo o trânsito – ela passa longe quando se trata de algo mais interiorizado em nós. Queremos resolver tudo de imediato – e supomos que precisamos chegar aonde queremos da forma mais rápida possível. Com atalhos de preferência. Sem itinerário estendido, sem curvas ou obstáculos.

Mas dentro de nós, os percursos são exatamente o contrário. Quantas vezes precisamos nos deixar levar a lugares que sequer parecem fazer sentido para, tempos depois, com um pouco de sorte e coragem de olhar para dentro, percebermos que o trajeto era estritamente necessário e que precisávamos percorrê-lo sozinho? Quantas vezes reproduzimos trechos da nossa infância, como que precisássemos nos agarrar a uma (falsa) sensação de segurança que idealizamos, como se fosse nos levar por uma linha traçada e durante toda a vida?

Só que nem todos os caminhos são para todos os caminhantes, diz a máxima atribuída a Goethe (sem ter autoria confirmada, no entanto). São poucas as vezes que saímos sem um rumo definido e nos presenteamos com a possibilidade de nos confrontarmos com o desconhecido. De podermos sair a pé em uma cidade estranha e sem um mapa em punho, apenas para contemplar a novidade de estar ali. Vagar por ruas e estradas novas, com waze deligado e motor em velocidade baixa, para acompanhar lentamente a mudança da paisagem. Bem difícil, né?

Foto: Fábio Panone Lopes / Especial

O bom é perceber, ao longo da estrada, é que aquilo que parecia um labirinto era, na verdade, uma oportunidade de chegarmos a nossa essência. Sem atalhos e cheio de tentativa e erro. Não são poucas as escolhas que precisamos fazer e nem sempre conseguimos:  vou por aqui ou por ali? Continuo em movimento ou dou uma parada? Será que estou no caminho certo?

E aí, queridos, infelizmente não existem sequer placas capazes de nos guiar. Mas, se tentarmos e enfrentarmos os obstáculos um a um, sem apressar o percurso ou o passo, mais cedo ou mais tarde teremos chances de chegar exatamente aonde deveríamos estar. E, felizmente, poderemos seguir em movimento, assertivamente, e sem medo dos caminhos tortos.

 

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