Reverência com irreverência: grupo Quartabê traz homenagem ao maestro Moacir Santos a Caxias do Sul - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Música22/09/2017 | 08h45Atualizada em 22/09/2017 | 08h45

Reverência com irreverência: grupo Quartabê traz homenagem ao maestro Moacir Santos a Caxias do Sul

Quarteto paulista mistura jazz, eletrônico, afrobeat e outros ritmos em tributo bem humorado ao compositor e multi-instrumentista pernambucano

Reverência com irreverência: grupo Quartabê traz homenagem ao maestro Moacir Santos a Caxias do Sul José de Holanda/Divulgação
Grupo surgiu em 2014, convidado a prestar uma homenagem ao maestro, compositor e multi-instrumentista Moacir Santos em um festival temático Foto: José de Holanda / Divulgação

Definir, já nos disse Oscar Wilde, é limitar. Definir o grupo de jazz Quartabê como um tributo ao compositor, maestro e arranjador Moacir Santos (1926-2006), igualmente seria desconsiderar parte importante do quarteto que vem de São Paulo para se apresentar em Caxias do Sul neste domingo, dentro do projeto Tum Tum Instrumental. Mais do que homenagear um dos grandes mestres da música brasileira, o Quartabê apresenta uma performance em que o virtuosismo do jazz ganha a energia do rock, a espontaneidade do teatro e a diversidade da música brasileira. 

Formado em 2014 por membros da banda de Arrigo Barnabé, o Quartabê surgiu de forma até despretensiosa, convidado a participar do Festival Moacir Santos, com a liberdade para criar livremente em cima da obra do autor de Coisa n. 5, Menino Travesso e Se Você Disser Que Sim. Unidos pelo talento, criatividade e irreverência, Mariá Portugal (bateria), Joana Queiroz (sax), Maria Bastos (clarinete e clarone) e Rafael Chicão Montorfano (piano) criaram um projeto irresistível, que em três anos já rendeu um disco e um EP com releituras de Moacir, além de shows nos principais festivais do país e uma turnê pela Europa, marcada para outubro.

– O Moacir sempre foi uma referência para a nossa geração, todos nós tínhamos livros com as partituras deles. Mas esse trabalho nos fez mergulhar na obra dele de uma outra forma e se apaixonar de vez. Trata-se de uma música super sofisticada e complexa, com linhas melódicas paralelas, mas que ao mesmo tempo é muito cativante e acessível. As pessoas ouvem e saem cantarolando os temas, mas que não são temas simples. Há uma magia envolvida nisso – destaca a saxofonista Joana Queiroz. 

Partindo da influência jazzística e orquestral de Moacir Santos, os instrumentistas agregam linguagens que vão da música eletrônica ao afrobeat, tornando a música tão surpreendente quanto o visual que os caracteriza no palco: cabelos coloridos e figurinos colegiais que ajudam a explicar o nome do grupo: 4ªB.

– Ao mesmo tempo que a gente traz essa música bem elaborada, que agrada quem se interessa mais pela linguagem da música instrumental, tem esse lado mais brincalhão que atrai um público que não tem essa familiaridade. É claro que há exceções e às vezes as pessoas ficam um pouco assustadas com os figurinos que a gente inventa (risos). Teve uma vez, por exemplo, que a gente tocou em um ginásio esportivo e se vestiu com roupas de ginástica. O pessoal não entendeu muito bem a piada – diverte-se Joana. 

Ainda segundo a saxofonista, o grupo tem como projeto para o futuro estender a homenagem a outros fundamentais da música brasileira. O próximo já está escolhido: Dorival Caymmi. 

Programe-se

O quê: Quartabê - São Paulo

Quando: Domingo, às 19h

Onde: Teatro do Sesc

Quanto: R$10

Mais:
Até o fim do ano, o Tum Tum Instrumental terá outras três edições, com Alegre Corrêa e François Muleka (outubro), Rafael Calegari Quarteto (novembro) e La Característica Orquestra (dezembro).



 

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