Pedro Guerra: Segundo round - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião01/09/2017 | 16h40Atualizada em 01/09/2017 | 17h08

Pedro Guerra: Segundo round

Quem é que parou para pensar que ruim mesmo é viver sem a coragem de seguir em frente?

Pedro Guerra: Segundo round Antonio Giacomin/Especial
Foto: Antonio Giacomin / Especial

Quando alguém diz para mim que vai se separar, a minha primeira reação é surpresa, e logo em seguida eu quero saber o porquê. Fomos nascidos e criados em uma geração que cultua o casamento como algo eterno — se casou é porque é para a vida toda. 

A separação, então, é um tabu, uma tarefa que poucos querem sustentar. Já escutei até quem dissesse que cair fora de uma relação aos quarenta e cinco do segundo tempo dá muito trabalho, não vale a pena. Acho que foi aí que passei a me questionar sobre qual seria a saída quando o amor chega ao fim.

É fato: está todo mundo se separando. Ok, talvez não todo mundo, mas uma grande parcela de casais chegou ao fim recentemente. Quem chegou a pensar que Bonner e Fátima não eram para sempre? Eu particularmente fiquei chocado quando Angelina Jolie disse que ela e Brad Pitt não estavam mais juntos. O nosso instinto nos leva a acreditar que a separação é algo ruim, mas quem é que parou para pensar que ruim mesmo é viver sem a coragem de seguir em frente?

As pessoas que eu conheço e que se separaram estão muito felizes, obrigado. Tenho uma amiga de quase quarenta que é muito mais disposta que eu — para o amor, para os novos encontros, para as oportunidades que a vida coloca em nossos dias. Então por que acreditar que é tarde demais para uma nova empreitada?

O Horóscopo Chinês diz que 2017 é o ano do galo. Talvez você não entenda o que isso tem a ver com o assunto, mas eu explico: os chineses acreditam que o animal está ligado à coragem, à honestidade e à ambição. Sendo assim, o ano corrente nos brinda com grandes desejos de mudança. Quanto ao amor, o argumento é o mesmo: se já não existe mais, protelar chega a ser insulto. A separação é só uma fase, um processo. A gente até coloca um ponto final no relacionamento, mas para cada um de nós ela acaba sendo ponto e vírgula mesmo: ali na frente, tudo recomeça. 

Felizmente, hoje eu penso diferente quando tocam nesse assunto. Prefiro acreditar que quem pede a superação é porque ainda ama, e isso de um jeito puramente sincero. Eu torço para que as separações sejam quando ainda houver respeito e maturidade necessária para lidar com a quebra, com a mudança de rota. Há tempo, sim. Sempre há. E o segundo round chega para aqueles que entendem que a última coisa que podemos fazer é adiar a nossa própria felicidade, mesmo que para isso precisemos vestir toda a coragem que temos guardada. 

Atualmente, quando alguém diz para mim que vai se separar, a minha primeira reação é perguntar se a pessoa está feliz.


 

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