Pedro Guerra lança neste domingo, em Caxias, o livro "Como Eu Imagino Você" - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Literatura15/09/2017 | 08h00Atualizada em 15/09/2017 | 13h46

Pedro Guerra lança neste domingo, em Caxias, o livro "Como Eu Imagino Você"

Obra se passa na mesma cidade fictícia de Porto Tempestade, que já apareceu em "Precisava de Você"

Pedro Guerra lança neste domingo, em Caxias, o livro "Como Eu Imagino Você" Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Escritor caxiense comemora a boa fase, com lançamento por editora do centro do país e leitores de diversos Estados Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS
Maristela Scheuer Deves
Maristela Scheuer Deves

maristela.deves@pioneiro.com

Porto Tempestade está de volta. A cidade fictícia, que já sediou as desventuras de Lola Tavares, personagem de Precisava de Você (2015), agora é palco para o drama de Helena, protagonista de Como Eu Imagino Você (Gutenberg, 192págs., R$ 34,90), novo livro de Pedro Guerra, que terá sessão de autógrafos domingo, às 15h, na livraria Saraiva, no Shopping Iguatemi Caxias. Na trama, a jovem, que tem a visão central quase nula (enxerga apenas um borrão em frente aos olhos), apaixona-se por um rapaz com o qual sonha seguidamente, e tem dúvidas se poderá reconhecê-lo ao encontrá-lo de verdade.

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Mais do que a volta do escritor caxiense ao romance mais romântico, gênero que trabalha em paralelo ao romance policial — quem aí ainda não ouviu falar de A Rainha Está Morta (2013), em que um assassinato agita os bastidores da escolha da rainha da Festa da Uva? —, o livro marca a estreia de Pedro em uma editora nacional, a Gutenberg, que publica autores como Thalita Rebouças. O primeiro lançamento de Como Eu Imagino Você, aliás, foi no Rio de Janeiro, no início do mês, durante a 18ª  Bienal do Livro (a maior do país). E, na sua página no Facebook, com mais de 70 mil seguidores, o autor contabiliza também pedidos de lançamentos nos mais diversos lugares do país, de Poços de Caldas (MG) e Indaiatuba (SP) a Rio das Ostras (RJ) e Maceió (AL).

— É muito bom saber que a gente conquistou leitores de fora da nossa região — diz Pedro.

Pedro comemora, aliás, a 6ª colocação entre os mais vendidos do grupo Autêntica (ao qual pertence a Gutenberg) na Bienal do Livro do Rio.

Levando em paralelo as duas vertentes de seu trabalho, em novembro o jovem escritor lança mais um livro policial, Cabra-Cega, em que a Praça Dante é cenário de um assassinato. E já projeta para ano que vem o lançamento de Romeu Morreu, sequência de Precisava de Você

Confira, abaixo, uma entrevista com o autor:

Pioneiro: Depois de quatro livros, esse é o teu primeiro por uma editora maior, do centro do país. Qual a sensação?

Pedro Guerra: A Gutenberg é um sonho. Eu sempre quis lançar um livro por uma editora grande, especializada no meu público (juvenil). Fui para a Bienal do Livro de SP ano passado e me prometi que só voltaria de lá com algo em mãos — uma ideia de uma próxima publicação. E quando estava lá a publisher da Gutenberg me pediu um livro inédito. Assinamos contrato antes mesmo de eu escrever o livro, eles super apostaram em mim. Me senti acolhido desde o começo. Agora, quando lancei o livro na Bienal do RJ (começo de setembro), eles me trataram como um autor de alto escalão, me senti muito reconhecido. A Bienal foi um sucesso. Pensei que não teria ninguém, por estar em uma cidade diferente da minha, e o livro foi super bem, várias pessoas foram pegar autógrafos. Foi uma realização gigantesca enquanto escritor.

Na tua página do face, tem pedidos para que você lance o livro em Indaiatuba, Rio das Ostras, Poços de Caldas, Maceió... Isso mostra que teu público já atinge diversas partes do país, e isso que no Brasil a média de leitura ainda é baixa. Como você vê isso?

Eu fiz uma pesquisa para o pessoal responder onde quer que eu lance o livro novo. Como opções, todas as capitais do país. Pra minha surpresa, mais de 50% das respostas é do pessoal de Recife, o que me deixou muito surpreso. Estando em uma editora maior, também tenho o apoio para lançar em outros estados, então estamos investigando onde seria legal. Por mim, eu lançaria em todos cantos do país! É muito bom saber que a gente conquistou leitores de fora da nossa região

Você tem trabalhado com duas vertentes: os livros policiais, de trama mais local, e os romances adolescentes. O processo de escrita é diferente? E o público, é o mesmo ou difere?

Essa é a minha proposta: seguir com os romances policiais locais que são trabalhos em escolas (em novembro sai o terceior livro da série Caxienses, Cabra-cega), e os romances românticos que se passam em Porto Tempestade. O público, de um modo geral, é o mesmo. Porém, os meninos tendem a preferir as histórias policialescas, pelo que percebo nas escolas. Além disso, a série Caxienses só é distribuída no RS, enquanto os romances saem nacionalmente. Gosto muito de manter as duas vertentes, porque amo escrever pro adolescente. Mas confesso que os romances românticos são os meus preferidos para escrever

Aliás, como foi tua participação na Bienal?

A Bienal é um sonho pra qualquer apaixonado por livros. O espaço é gigantesco, tem sempre uma atração boa de se ver, e as oportunidades de compra são maravilhosas. Consegui comprar sete livros por 35 reais, que é basicamente o preço de um livro. Ainda não parei pra pensar que lancei meu livro lá, no maior evento literário do país.

O que "Como Eu Imagino Você" tem em comum com "Precisava de Você"? E de diferente?

Como eu imagino você se passa na mesma cidade de Precisava de Você, Porto Tempestade. Porém, os livros são independentes. Gosto de criar novas histórias e ter a mesma cidade como pano de fundo, pra mim é como se eu morasse lá. Faço algumas referências ao Precisava de Você neste novo livro, porque lá pra frente, quando tiver lançado várias histórias que se passam nesta cidade, o leitor vai poder ver que, além da trama principal, existem subtramas em todos os livros que se conectam entre si.

Como está o novo livro da série Caxienses? 

O Cabra-cega sai em novembro, e ele está ficando lindo. Tive de pesquisar muito sobre a história da Praça Dante e seu entorno, que é o local deste novo assassinato. Foi um livro desafiador pra mim, pois foge do tradicional "quem matou", pois aqui o assassino está tentando passar uma mensagem, tudo faz parte de um grande jogo — daí "cabra-cega".

Se você fosse fazer um balanço da tua carreira até aqui em uma frase, qual seria?

Bom, uma leitora na Bienal do Rio disse que os meus livros fizeram com que ela me achasse "o John Green brasileiro". Eu amei isso, porque são raros os escritores nacionais homens que fazem romance juvenil. Mas pra mim, estou na fase que mais gosto até então da minha carreira. Copiaria a frase da música Tocando em frente, de Almir Sater, quando ele diz "ando devagar porque já tive pressa, e levo esse sorriso porque já chorei demais". 

Gosto dela porque essa profissão não é fácil. É um mercado muito canibalizado, é difícil se destacar. Eu, que sou totalmente ansioso, preciso ter muito cuidado com meus sonhos, porque quero que tudo se resolva rápido. Eu costumava criar muita expectativa (eu entrei em depressão depois que lancei Precisava de Você, pois algumas coisas não saíram como eu queria, o que acabou me frustrando), e hoje em dia eu deixo rolar. Sou grato a tudo que aconteceu, e tento ser mais paciente e menos ansioso, porque sei que o bom trabalho é o que guia tudo. Eu pirava só de pensar que poderia chover no dia do lançamento do meu livro, e assim ninguém compareceria. Hoje eu prefiro pensar que se choveu é porque tinha que ser assim — e que, felizmente, a livraria tem teto.

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 14/09/2017. Escritor Pedro Guerra está lançando seu novo livro, ¿Como Eu Imagino Você¿. (Diogo Sallaberry/Agência RBS)
Na trama do novo livro, a protagonista, Helena, não tem a visão central, por isso, não consegue enxergar rostos; então, como reconhecerá o amado dos seus sonhos?Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS


 

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