Nivaldo Pereira: Primavera em paz - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião22/09/2017 | 15h00Atualizada em 22/09/2017 | 15h00

Nivaldo Pereira: Primavera em paz

Libra chega para lembrar que precisamos dos outros

Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Enfim, primavera! Ipês exuberantes já anunciam há dias a estação das flores, na mesma cadência do aumento de temperatura que provoca a brotação dos plátanos, parreiras e outras espécies de folhas caducas. É o show da vida em seu máximo poder de renovação. A estação começou oficialmente na sexta-feira, 22, às 17h03min, instante em que a rota do movimento do Sol coincidiu com a linha do equador terrestre. Os raios solares, assim, se repartem em igual intensidade entre os dois hemisférios da Terra, propiciando a ambos temperaturas amenas. É outono acima do equador, e primavera para nós, sulistas. Esse estágio do movimento da Terra é chamado equinócio de Libra e dá início ao signo simbolizado pela balança.

Ilustra cronica Nivaldo Pereira Primavera em Paz, de 23.09.2017
Foto: Charles Segat / Ilustração

Libra chega para lembrar que precisamos dos outros. Que precisamos de união e paz, de ponderação e diplomacia, de gentileza e arte. Libra avisa que não há vida social possível sem ética e justiça. Diante dos extremismos recentes de nossa realidade, é fácil constatar o quanto carecemos das sensatas ações librianas. Transitando em Libra até 10 de outubro, o planeta Júpiter, regente das crenças e julgamentos, andou em aspecto tenso com o instintivo Plutão e ainda está na mira do radical Urano. Visões de mundo cegas e primitivas afloram em clima inquisitorial de aniquilação sumária dos discordantes. Nada mais distante da harmonia e tolerância librianas! Como escapar desse clima histérico que a tudo contamina?

Convém estar em paz. Um rasgo de lucidez — que só brota na calma — já será uma gota luminosa nessas trevas de certezas perigosas. Calma, gente! Evocando o libriano Mahatma Gandhi, "a vida merece algo além do aumento da sua velocidade". Nos velozes centros urbanos, perdemos muito da percepção simbólica dos ciclos cósmicos. E a primavera chega outra vez, vibrante, colorida, entre plantas brotando e passarinhos cantando encontros. Devemos absorver a primavera. Devemos praticá-la. Que tal visitar alguém, levando flores? De grão em grão, sementes de gentileza e afeto brotarão viçosas na estação da paz.

 

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