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Opinião05/09/2017 | 08h00Atualizada em 05/09/2017 | 08h00

Natalia Borges Polesso: Violência contra mulheres

A taxa de feminicídio, no Brasil, é a quinta maior no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde

Natalia Borges Polesso

nbpoless@gmail.com

Um homem ejacula no pescoço de uma mulher no transporte público no dia 29 de agosto. A mulher grita. O homem é preso em flagrante. O homem está detido. O homem tem dezessete acusações de crimes sexuais. O juiz entende que o caso não era estupro, mas importunação ofensiva. O homem é solto. É solto porque segundo o juiz não teria usado de violência ou ameaça grave para constranger a vítima. Um homem se masturba e ejacula em você. Um homem constrange uma mulher todos os dias. Este mesmo homem no sábado, dia 2, foi preso novamente por atacar outra mulher em um ônibus. Um pouco antes, uma mulher foi estuprada por um motorista. No mesmo horário, um casamento no Iêmen se consumava e a noiva de oito anos morre estuprada por seu marido, ao mesmo tempo, uma mulher é assediada no trabalho, no mesmo minuto, uma mulher é silenciada por um amigo, e, neste instante, um homem dá um tiro na cabeça da sua ex-namorada, porque não aguentava vê-la viva e feliz. "Se não for minha, não será de mais ninguém." A última forma de controle: matar.

A taxa de feminicídio, no Brasil, é a quinta maior no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. E os números crescem. Em 2014, o Brasil tinha UM registro de estupro A CADA 11 minutos. Onze minutos. Isso de acordo com o 9º Anuário Brasileiro da Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Em 2014, o Brasil registrou em torno de 46 mil estupros. Será mesmo que são 46 mil doentes? Se somarmos os não registrados quantos serão? Lembrando que os números crescem.

A violência de gênero é estrutural e é consequência direta das construções ideológicas, diariamente reforçadas, que estabelecem os papéis e as relações de poder entre homens e mulheres. O machismo, a cultura do estupro, o feminicídio, a manutenção dessas lógicas através de piadas, de comentários sem uma reflexão profunda, a manutenção de estruturas que culpam mulheres vítimas, tudo isso é produto dessa construção ideológica chamada patriarcado, que coloca a mulher como objeto, como propriedade, como ser inferior, incapaz, com menos valor.

Mulheres são odiadas todos os dias.

Parem de nos odiar. Parem de nos silenciar. Parem de nos explicar como devemos agir, sentir, falar. Parem de nos matar. Parem.

Comecem a nos ouvir de verdade.

 

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