Marcos Kirst: diga-me no que crês e ... daí? - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião25/09/2017 | 09h00Atualizada em 25/09/2017 | 13h05

Marcos Kirst: diga-me no que crês e ... daí?

Eu sou um ser lotado de crenças. Algumas delas acompanham minha vida há décadas

Cada um acredita no que quer, a senhora não acha, madama? Ninguém tem o poder ou o direito de criticar ou querer reorientar as crenças dos outros. Muito menos, de zombar delas. Crença é crença; acredita-se e pronto. Razão, lógica, bom senso, não entram na conta quando se trata de acreditar em alguma coisa. Não temos a obrigação de justificar nossas crenças. Não exijam coerência de nós, que cremos, independentemente do que quer que seja aquilo em que depositamos nossas mais profundas fés. Plural de "fé" é "fés"? Creio que sim (na verdade, torço para que sim, a bem do bom senso e do bom gosto desta crônica de segunda).

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Eu sou um ser lotado de crenças. Algumas delas acompanham minha existência há décadas. Outras foram sendo abandonadas no meio do caminho, abandonos esses motivados pelas experiências e pelas decepções que se apresentam a cada esquina dobrada. Há crenças que nos fortalecem e nos justificam, ao mesmo tempo em que há aquelas que nos decepcionam, que nos faltam justamente no momento em que esperávamos delas a manifestação e a comprovação das certezas que nelas depositávamos. Crer não é saber. Crer não é conhecer. Crer é crer e ponto.

Eu, por exemplo, coleciono acreditares e ninguém tem nada a ver com isso. Acredito no emagrecimento estonteante da Geisy Arruda; acredito na conversão da Andressa Urach; acredito no Monstro do Lago Ness (o Lago Ness existe, já naveguei nele, e deparei, sim, com um monstro por lá, mas isso fica para outra segundeira, não é hora de tratar sobre espelhos e reflexos assustadores em águas turvas); acredito em vida extraterrena; acredito em torta de bolacha; acredito na previsão do tempo; acredito nas profecias de Nostradamus (especialmente naquelas já confirmadas); acredito no ponteiro do reservatório do tanque de combustível de meu automóvel; acredito no pacto feito com o despertador antes de entregar-me ao sono; acredito na performance do time para o qual torço (esqueci de dizer que acreditar contém doses absurdas de cabeça-durismo) e em tantas outras coisas.

Já acreditei em discos voadores, mas troquei-os pelos discos de vinil. Tem quem creia que a Terra é oca e há quem jure que ela é plana (eu acredito que seja redonda, o que explica certas tonturas e alguns desequilíbrios). Até sábado passado, acreditava no planeta Niribu e em seu iminente choque contra a Terra, acabando com o mundo, mais uma vez. Se aconteceu, esqueceram de me avisar. Mas a mais estranha e injustificável de todas as minhas crenças é essa, teimosa, na humanidade. Cada um com seus absurdos, né, madama.

 

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