Professor de Geografia em Caxias, ex-vocalista e compositor do Barbarella comemora disco de ouro - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Música11/08/2017 | 15h01Atualizada em 11/08/2017 | 15h38

Professor de Geografia em Caxias, ex-vocalista e compositor do Barbarella comemora disco de ouro

Edson Leite, o professor Edinho, fez parte do conjunto clássico dos bailes e das boates gaúchas e emplacou, entre outros, o hit Só Uma Canção

Professor de Geografia em Caxias, ex-vocalista e compositor do Barbarella comemora disco de ouro Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Edinho com uma turma de alunos do Colégio Murialdo. Letras com temas de Geografia viraram marca registrada Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

A música já era um disco virado na vida de Edson Leite, satisfeito em ser agora o professor Edinho, 62 anos, responsável por ensinar Geografia no ensino médio dos colégios Murialdo e São Carlos, em Caxias. É verdade que o violão sempre foi um diferencial no seu jeito de ensinar, que inclui paródias e composições próprias com letras pertinentes aos assuntos de aula. A tática para tornar as matérias mais interessantes vem dos anos em que lecionou em cursinhos pré-vestibular. Mas fato é que a carreira artística já era parte do passado para o ex-vocalista e compositor de um dos grupos mais conhecidos pelos bailes e boates do interior gaúcho, o inconfundível Barbarella. Isso até meados deste ano, quanto a música voltou para mostrar que, tanto quanto a vida, sempre pode surpreender.

Para entender a ligação de Edinho com o Barbarella é preciso voltar no tempo até meados dos anos 1980, quando os irmãos Ivo e Auri Spohr, fundadores da banda que leva o nome do filme futurista estrelado por Jane Fonda, o convidaram para ser vocalista e compositor da banda. Edinho, cuja trajetória havia iniciado em bandas de rock na adolescência, chamou a atenção de Spohr pelo trabalho no Grupo Imagem, banda que fazia sucesso na Serra e cujos vocais o caxiense conciliava com as carreiras de professor e repórter de esportes no Pioneiro. A proposta foi tentadora.

— Eu já estava desistindo de ser músico, mas eles vieram a Caxias e me ofereceram dobrar o que eu ganhava, além de pagar minha estadia em Arroio do Meio (cidade onde nasceu o conjunto, no Vale do Taquari). Também prometeram gravar um disco com as minhas composições, que era o meu sonho. Aceitei na hora — conta Edinho.

No apartamento em Bento Gonçalves, Edinho exibe o disco de ouro recebido em junho Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

Foram cinco anos como uma das vozes e letrista do Barbarella, justamente no período em que a banda alcançou maior projeção, com ampla divulgação na mídia. Havia talento, mas também a sorte de ter cruzado no estúdio o caminho do produtor Airton dos Anjos, o Patinete, responsável por lançar Elis Regina. Airton gostou do que ouviu e garantiu à banda dezenas de inserções diárias nas principais rádios do Estado. Nessa época estourou Só Uma Canção, carro-chefe entre as músicas de Edinho.

— É uma letra que escrevi em cima da melodia de uma música do Bad Boys Blue, que era uma banda na qual eu me inspirava muito. Assim surgiu o meu refrão mais conhecido: "...eu quero uma canção que libere as emoções. Pra cantar, pra dançar, pra sonhar" — cantarola.

Dentro de um gênero difícil de rotular, mas bastante influenciado pela estética pop dos anos 1980, o Barbarella foi um fenômeno regional. No início dos anos 1990, Caxias era uma das principais paradas do grupo, que lotava a famosa boate Roda Viva ou o Incitatus. Por todo o Estado, os shows atraiam públicos entre 5 mil e até 10 mil pessoas. Só Uma Canção, Aldeia e Sedução, todas de Edinho, eram entoadas como se fossem hinos do Guns N' Roses

— Uma vez em Cascavel, no Paraná, nós tocamos na mesma noite que o Paulo Ricardo, ex-RPM, e nosso show lotou, enquanto o dele estava vazio. Foi inesquecível — recorda o ex-vocalista.

Foram alguns desentendimentos com outros membros da banda e o nascimento das filhas (hoje são três) que levaram Edinho a deixar o Barbarella, em 1991. Também contribuiu a procura cada vez maior pelas suas aulas, especialmente em cursinhos. De volta a Caxias, ainda seguiu na música por mais alguns anos, numa banda chamada Alma Nova. Com esse grupo teve uma de suas canções, Emoção, na trilha sonora da versão mexicana da novela Cara & Coroa, exportada pela Globo, e participou de programas de TV como o Clube do Bolinha, da Bandeirantes. Mas a carreira de professor se impunha, com convites para lecionar em diversas cidades.

"OLHA, É O MEU PROFESSOR!"

Hora de voltar ao ponto em que a música parecia só uma lembrança boa para Edinho, às vezes reativada com apresentações solo pela região, em bares de Bento Gonçalves (onde mora atualmente com a esposa, Juraciara) e Garibaldi. Em 2013, o Barbarella gravou um CD intitulado Sucessos, ao qual se seguiu um DVD ao vivo, que teve Edinho como convidado. Este ano, a coletânea que traz oito faixas assinadas por ele, alcançou 25 mil cópias vendidas e recebeu um disco de ouro, oferecido pela gravadora caxiense Faixa Nobre. O ex-vocalista participou da entrega da honraria num show em Cruzeiro do Sul, em junho, onde novamente se juntou à banda, desta vez sem a bandana na cabeça e as calças justas do antigo figurino.

— Sempre achei que a música já tinha me dado tudo. Mas ela nos faz viajar no tempo, nos transforma, nos dá uma nova energia. Ver os meninos fazendo sucesso com as músicas que eu escrevi me fez tremer de tanta emoção quando subi ao palco. O Barbarella marca uma época muito legal da minha vida — resume.

Após ter recebido o Pioneiro para mostrar o disco de ouro que agora decora seu apartamento, Edinho convidou a reportagem para assistir a uma aula no Murialdo, onde empunhou o violão que mora na sala dos professores e colocou a garotada para cantar. Ao escrever na lousa o refrão de Só Uma Canção, os alunos o alertaram que esquecera um dos versos. Todos conhecem o trabalho artístico do professor.

— Minha tia tem o DVD e um dia estávamos assistindo na casa dela, quando de repente apareceu o Edinho. 'Olha ali, é o meu professor!' — conta a aluna Emanuela Conte, 16.

 
 

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