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Debate29/08/2017 | 08h00Atualizada em 29/08/2017 | 08h00

Ciranda do Pensamento debate os "jovens há mais tempo", em Caxias

Encontro ocorre nesta terça-feira, no Centro de Cultura Ordovás

Ciranda do Pensamento debate os "jovens há mais tempo", em Caxias Arte de Bolívar Duarte/divulgação
Ideia é desconstruir conceitos como "terceira idade" e mostrar que essa geração tem novas demandas Foto: Arte de Bolívar Duarte / divulgação
Maristela Scheuer Deves
Maristela Scheuer Deves

maristela.deves@pioneiro.com

Não há dúvida que o idoso de hoje é bem diferente daquele de 20 ou 30 anos atrás — o próprio termo "idoso", aliás, soa estranho quando se está falando de pessoas com 60, 65 ou mesmo 70 anos. Alguns preferem dizer "terceira idade", mas também há controvérsias sobre essa definição. Por isso, a edição deste mês do Ciranda do Pensamento, que ocorre nesta terça-feira à noite na Sala de Cinema do Centro de Cultura Ordovás, em Caxias do Sul, optou pela expressão "jovens há mais tempo" para pautar os debates.

— O idoso de hoje é ativo, e é preciso tratá-los sob uma outra perspectiva — analisa a coordenadora do Ciranda, Jaqueline Devenz.

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Uma das convidadas para debater o tema, a doutora em Educação Tania Maria Scuro Mendes, pesquisa o assunto há sete anos e cunhou o termo "envelhecência", que desenvolve no livro Da Adolescência à Envelhecência. Mais do que apenas uma palavra, diz a estudiosa, esse é um conceito que busca desconstruir a ideia de "velho". Atualmente, diz, sequer o uso de "terceira idade" seria adequado, por remeter a algo pós-idade produtiva:

— As novas gerações (de idosos) estão mais conectadas, produtivas e integradas à sociedade. Precisamos lembrar que aqueles estudantes de maio de 1968 hoje têm mais de 70, que quem criou os PCs (computadores pessoais) hoje tem mais de 70... Esses novos "envelhecentes" têm novas demandas, e é um equívoco pensar que eles não são mais produtivos. Eles participam do mercado como produtores e como consumidores, geram empregos, voltam a estudar, muitos se tornam empreendedores após a aposentadoria — enumera Tania.

Mesmo assim, diz, muitos segmentos ainda não se deram por conta desse novo público, e não preparam seus profissionais para lidar com eles.

— O Brasil tem hoje 23,5 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Em 2025, serão 32 milhões. Aqueles acima de 50 anos são o segundo público que mais consome produtos online, por exemplo. É preciso desconstruir alguns conceitos e entender essa realidade, perceber que integrar as gerações não é despesa e sim incremento do capital social — acrescenta a pesquisadora.

Além de Tania, outros especialistas que conduzirão o debate são a coordenadora do projeto Convivência da Secretaria de Esporte e Lazer (Smel), Maria Luiza Bedin, a médica psiquiatra e professora de meditação Anmol Arora e o psicólogo, teólogo e filósofo Dornelis Benatto — ele próprio com 75 anos.

O encontro terá ainda a participação de três pessoas com mais de 80 anos que inspiram por suas vivências: a professora de ioga aposentada Ivete Pisani, 82, que ainda ministra aulas voluntárias de meditação num centro de convivência para idosos; Angelin Felippi, 87, que em 2010, aos 80, percorreu o caminho de Santiago de Compostela; e a professora Lourdes Vargas, 82, que toca sanfona.

Agende-se
O que:
Ciranda do Pensamento.
Quando: nesta terça-feira, às 19h30min.
Onde: na Sala de Cinema do Centro de Cultura Ordovás (Rua Luiz Antunes, 312), em Caxias do Sul.
Quanto: entrada franca.

 

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