3por4: Marco Ricca fala sobre sua atuação em "Os Dias Eram Assim" - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Festival de Cinema24/08/2017 | 10h27Atualizada em 24/08/2017 | 10h58

3por4: Marco Ricca fala sobre sua atuação em "Os Dias Eram Assim"

O ator apresentou o filme "As Duas Irenes" no 45º Festival de Gramado

3por4: Marco Ricca fala sobre sua atuação em "Os Dias Eram Assim" Felipe Nyland/Agencia RBS
Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Marco Ricca esteve no Festival de Cinema de Gramado para apresentar o filme As Duas Irenes (no qual, aliás, entrega uma atuação cheia de nuances), mas a coluna não poderia deixar de repercutir o impactante personagem que ele interpreta na série Os Dias Eram Assim, no ar pela Globo. Ricca avalia o delegado Amaral como ¿um escroto¿ e confessa que chegou a pensar em desistir do trabalho ao perceber que as pessoas estavam confundindo a mensagem que a série quer passar.

— Num primeiro momento, eu me assustei muito porque as pessoas falavam na rua ¿tô adorando esse delegado Amaral, tá ótimo, tem que ter um cara assim hoje¿. A sociedade está vivendo um momento histórico muito difícil, onde as pessoas estão preferindo a volta de um momento obscuro e terrível, querendo ressuscitar esses vermes que estão por aí ainda espalhados... e tem novos vindo. Há um grande espaço numa sociedade que está amedrontada e que acha que precisa de um salvador da pátria. É assim que a gente cria os piores estados totalitários do mundo. Eu fiquei muito abismado, mas a dramaturgia tem isso, as pessoas sabem que o cara é escroto, mas gostam. Cheguei a pensar em sair da série. Pensei ¿estamos indo para ao lado errado, a gente não está denunciando nada, a gente está estimulando¿. Fiquei muito preocupado.

Assunto recorrente em praticamente todos os debates de filmes em Gramado, o atual momento político do país também foi comentado por Ricca.

— Estamos tendo, sim, retrocessos que eu pensei que nunca mais iam acontecer (...). Esses caras que estão tomando conta do país, se pudessem, fechavam o Ministério da Cultura, eles tentaram, inclusive. Por eles, acabariam com o cinema, mandavam matar esses atores vagabundos, diretores de cinema que só falam mal deles, e eles continuariam a serviço de quem lhes serve. Espero que esse período obscuríssimo acabe rapidamente para que a gente possa escolher de novo alguém. E ao invés de a gente pensar em ir embora, a gente tem que pedir para essas pessoas irem embora daqui.

 

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