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Opinião14/07/2017 | 15h01Atualizada em 14/07/2017 | 15h47

Nivaldo Pereira: O canceriano sem lar

É o signo ascendente de Raul, que vai colorir sua faceta externa, sua fachada teatral e exuberante

Nivaldo Pereira: O canceriano sem lar Charles Segat/Ilustração
Foto: Charles Segat / Ilustração
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Um canceriano notável? Raul Seixas! Como assim, canceriano, aquele rebelde maluco beleza, futurista e extravagante? Então Câncer não é um signo de interioridades e vínculos, de memórias e família? Não combina com a imagem do endiabrado pai do rock nacional... Eu tinha esse questionamento de estranheza, até estudar o mapa astrológico de Raul. Está tudo lá, o pop star e o menino sensível, o irreverente e o carente. Foi ele mesmo quem compôs Canceriano sem Lar, para falar de um sentimento de abandono, internado num hospital. Pois acredite, Raul era canceriano demais.

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Quando ele nasceu, o signo de Leão estava no horizonte. É o signo ascendente de Raul, que vai colorir sua faceta externa, sua fachada teatral e exuberante. Já o Sol canceriano, sua identidade mais real, estava escondido, no reino dos mistérios, em conexão com águas profundas. Sobre esse jogo de personalidades, Raul escreveu: "Eu não dou o menor valor para o artista que personifica o Raul Seixas. Depois do trabalho cênico estar acabado, eu volto a minha própria personalidade. Eu volto para minhas coisas, minhas manias, meus livros, minha esposa..."

Regente de Câncer, a Lua, no mapa de Raul, estava em Aquário, sugerindo uma intensa necessidade de liberdade e experimentação. É outro aspecto contraditório na personalidade dele. Câncer queria o aconchego de um lar, em torno daquele famoso baú recheado de lembranças — como o primeiro chiclete mascado —, enquanto Aquário sinalizava desapegos e transgressões, uma nova era em que fazer tudo o que quer seja da lei. Foram cinco casamentos e cinco divórcios. Em Diamante de Mendigo, ele confessa: "Eu tive que perder minha família / Para perceber o benefício que ela me proporcionava / É triste aceitar esse engano / Quando já se esgotaram as possibilidades".

Raul morreu sozinho, consumido por suas intensidades. Virou um mito que só cresce em fascínio. Em parte pelas transgressões, mas muito pela enorme sensibilidade de quem escreveu: "Trancado dentro de mim mesmo / Sou um canceriano sem lar".



 
 

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