Natalia Borges Polesso: Solução - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião18/07/2017 | 08h00Atualizada em 18/07/2017 | 08h00

Natalia Borges Polesso: Solução

Pra zerar, começar de novo, fazer direito, não era isso? 

Natalia Borges Polesso

nbpoless@gmail.com

A solução é zerar isso aí. Zerar? É. Começar de novo. Fazer de conta que nada aconteceu, limpar as fichas, deixar tudo em branco e começar de novo. O que acha? Do zero? Do zero. A única é regra é tentar ser um pouquinho melhor. Só um pouco. Não matar, não roubar, não ser um babaca, não ser uma canalha. Que tal? Mas e a ficha, limpa como? Acho que aí tem que reprogramar. É? É. Consumo consciente, exercício, cidadania, valores, evitar desperdícios, reciclar, essas coisas. Reciclar lixo, roupas, sapatos, utensílios? Reciclar ideias! Isso que to dizendo. Reformar a política? Não, não só isso. Repolitizar! Do zero também. Explicar o que é esquerda, o que é direita, o que é centro. E por quem as coisas funcionam ou deixam de funcionar. Isso! Ou acabar com tudo isso e fazer alguma coisa de verdade, não é? Pôr a mão na massa mesmo. Como? Não sei, quem sabe zeramos a Terra também? Era bom. Redistribuir, reordenar, replantar a Amazônia, replantar o mato que tinha na esquina da casa de cada um, e a goiabeira, e a jabuticabeira. E aquele eucalipto monstro que ficava na frente de casa? Tudo! Do mínimo ao grandioso! Deixa o trem, faz menos asfalto. Ou deixa as pessoas chegarem pelo rio mesmo. Deixa ir a pé! Perfeito! Menos é mais. Então, vamos chamar todo mundo e começar isso logo. Chamar todo mundo pra quê? Pra zerar, começar de novo, fazer direito, não era isso? Era, mas quem falou em chamar todo mundo? Isso não dá certo. E como vamos fazer, então? Primeiro a gente organiza, depois a gente traça um plano e por fim a gente paga. Paga? Paga um cinco, seis, dá umas posições pra assumir mesmo o projeto com a gente, mas explica bem antes, pra não ter confusão. Mas só seis? Uns dez, não? Pode ser. Podem chamar uns voluntários pra espalhar a ideia, pra todos pensarem que é o certo. Porque é o certo, ora. Isso que eu quis dizer. Então vamos criar uma espécie de bandeira pra identificar a novidade. Ótimo! E vamos nos chamar como? Como assim? Precisamos de um nome, um nome que expresse nosso ideal? Ah, pois é, mas tem que ser um nome limpo, novo, fresco. Isso, tipo Alface Hidropônico, AH! Ou Broto de Alfafa Hidropônico, BAH. As siglas são fáceis de memorizar. Acho que é por bem por aí. E já sinalizamos nossa preocupação maior! Qual é nossa preocupação maior? A Terra! Achei que era repolitizar, talvez não precisássemos de siglas, mas o nome podia ser nesse sentido, Refaça. Refaça não soa bem. Copopular, então. Piorou. Não sei se isso vai dar certo. É, quem sabe seguimos outros caminhos. Não, eu quero zerar. Eu também. Então vamos. Não sei, vai dar trabalho isso. Bastante. E é sem garantia. É. De repente não tá tão ruim. Deixa estar um pouco mais. Amanhã a gente começa. Isso, depois a gente vê o que faz. Hoje vamos ficar só vendo. Só vendo. Só assistindo. Boa.

 

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