Gilmar Marcílio: Isso não é política - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião09/07/2017 | 15h38Atualizada em 09/07/2017 | 15h40

Gilmar Marcílio: Isso não é política

Talvez em poucos momentos da história o homem soube ocupar cargos de poder sem a corrupção que parece inerente a esse processo

Por estes dias, li a sugestão de um escritor que me parece assustadoramente pertinente. Disse ele que nossos ilustres deputados e senadores deveriam ser submetidos periodicamente a exames neurológicos e psicológicos. Não é possível, afirmou, que pessoas "normais" ajam da maneira que somos coagidos a ver. Algo de muito grave deve estar acontecendo, uma patologia ainda não catalogada pela medicina. E que deve ser exaustivamente estudada, analisada e, na sequência, encaminhados eles para tratamento. É muito triste ouvir das pessoas que já não nutrem nenhum interesse em acompanhar o atual cenário que se reduziu a negociatas e tratativas escusas para justificar o injustificável. O país? Ora, primeiro vou cuidar de mim, depois, se sobrar tempo, me debruçarei sobre leis e normas que atingem diretamente a todos. Bem dizia meu caro professor de filosofia clássica: a democracia está longe de ser o melhor sistema de governo. Os medíocres se infiltram nela, vestem a roupagem de interessados pelo povo e contaminam o sistema com seus mesquinhos interesses pessoais. E nós, atônitos, assistimos a tudo isso sem fazer absolutamente nada. 

Talvez em poucos momentos da história o homem soube ocupar cargos de poder sem a corrupção que parece inerente a esse processo. O ideal de República preconizado por Platão, a administração filosófica do imperador Marco Aurélio, nos parecem exceções que se perdem no tempo e na memória. O sentido da expressão "cuidar do bem comum" resvala na pequenez dos negócios escusos, das malas de dinheiro sendo transportadas à luz do dia para aplacar a gula de ter mais e mais. Qualquer noção de bom senso desaparece diante desse despudor que nos enfastia e em muitos momentos nos faz bendizer a alienação. O desinteresse praticamente generalizado é o sintoma mais evidente dessa doença que acomete a mente da grande maioria de suas excelências. Exames neles. Vamos transformá-los em cobaias para o bem da ciência e da própria espécie. Que os profissionais que a tal se dispuserem (deveria se transformar isso em lei) analisem minuciosamente esses cérebros que não conseguem mais legislar com justiça e equanimidade. Refestelam-se durante décadas, que poucos se dispõem a trocar as benesses pela vulgaridade da vida comum, da vida de quase todos nós. Podemos acreditar em recuperação? 

Pobres políticos que se creem superiores quando são reféns de uma ganância sem controle. Vamos investigá-los, pois envergonham toda a raça. E que se descubra alguma terapia que lhes devolva a capacidade de ver o outro. Simples assim, mas impossível para eles.

 

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