Tríssia Ordovás Sartori: viver para exaltar - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião16/06/2017 | 15h54Atualizada em 16/06/2017 | 17h08

Tríssia Ordovás Sartori: viver para exaltar

Dois acontecimentos da semana me fizeram refletir. Tenho pensado neles como efeito Emilio e efeito Lilica

Tríssia Ordovás Sartori: viver para exaltar Fábio Panone Lopes/
Foto: Fábio Panone Lopes
Tríssia Ordovás Sartori
Tríssia Ordovás Sartori

trissia.ordovas@pioneiro.com

Passei os últimos dias impactada por dois acontecimentos, um feliz e um triste, e ambos me tocaram por uma sensação semelhante. Tenho pensado neles como efeito Emilio e efeito Lilica.

Explico: o primeiro refere-se a Emilio Finger, um amigo querido de longa data que completou o Caminho de Santiago de Compostela, na quarta-feira, como vocês devem estar acompanhando pelos veículos da RBS na Serra. Acometido por paralisia infantil aos seis meses e tendo ficado em pé pela primeira vez aos seis anos, aceitou o desafio de fazer a peregrinação na Europa.

 Ao assisti-lo no percurso acidentado que leva a um dos marcos do percurso, a Cruz de Ferro, me lavei de chorar. Não bastasse o chão batido e as pedras, Emilio precisou vencer sete quilômetros morro acima, caminhando sozinho – ele e sua bengala (ou o homem e suas circunstâncias, como diria Ortega y Gasset). Ao se aproximar do local, ele também não conteve as lágrimas. Fiquei pensando no orgulho que ele devia estar sentindo de si mesmo, na sensação de vitória depois de tantas dificuldades enfrentadas, tantas privações... E o mais simbólico: ele conseguiu isso porque não se conformou com os ¿nãos¿, com as dificuldades que a vida impôs. Ele queria mais e foi atrás. Inspiração (e lição) master para minha vida.

Sobre a Lilica: ela é a cachorra dos meus pais e tem 16 anos. Filhote de yorkshire com maltês, é pequena, peluda e gritona. Nos últimos dias, anda abatida, dando mostras de que o ciclo dela está chegando ao fim – o que é de uma tristeza enorme para todos nós. 

E essa proximidade da finitude sempre obriga a uma reflexão. Lembrei dos dias em que chegava na casa deles e ela vinha brincar. Às vezes estava tão cansada ou cheia de objetos nas mãos que não parava imediatamente para dar atenção a ela. Fazia o que precisava fazer, depois retornava para brincar com a Lilica. Como se eu e ela fôssemos imortais: a urgência para o que de fato importa quase não existe, apenas cumprimos tarefas automáticas e, quando dá tempo, nos dedicamos àquilo que deveria ocupar a maior parte do nosso tempo. Uma idiotice. 

Afinal, somos nós os responsáveis por manter a memória daqueles que nos deixam e exaltar a história dos que nos inspiram.

 
 

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